Maurício Corrêa, de Brasília —
Mais um exemplo para a lamentável coleção cujo título é “o melhor negócio do mundo é ser dono de uma distribuidora de energia elétrica no Brasil”.
Antes que alguém diga alguma coisa, este editor está careca de saber que a inflação não é parâmetro de definição dos reajustes tarifários do setor elétrico. Existe uma metodologia técnica, altamente complexa, que regula o assunto.
Mas este editor também sabe que a Aneel, quando escreveu os contratos de concessão da distribuição de energia elétrica só pensou nas empresas. Não pensou nos consumidores. Isso precisa ser mudado, mas aparentemente ninguém na Aneel ou no Ministério de Minas e Energia faz alguma força nesse sentido. Ninguém se mexe. O Governo prefere continuar olhando apenas para as empresas e os consumidores que se lasquem.
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta quarta-feira, 22, a Revisão Tarifária Periódica de 2026 da CPFL Santa Cruz, com alta média de 15,12%. A Energisa Mato Grosso do Sul (EMS) ganhou um presentaço, na forma de um reajuste de 12,11%. A CPFL Paulista também teve um reajuste tarifário bem acima da inflação, de 12,13%. Vale lembrar que a inflação dos últimos 12 meses medida pelo IPCA é de 4,14%.
A Aneel está cometendo alguma irregularidade ao dar 15,12% para a CPFL Santa Cruz, 12,11% para a Energisa MS ou 12,13% para a Paulista? Não. Está apenas seguindo o que dizem os contratos de concessão, feitos por ela mesma. A sacanagem contra os consumidores está nos termos desses contratos, que só protegem os interesses das distribuidoras.
É por isso que nenhum dono de distribuidora de energia elétrica quer largar o osso no Brasil. Inflação de 4%, os caras ganham da Aneel reajuste de 15%. Até o editor, que é um idiota completo, quer ser dono de uma distribuidora de energia elétrica.
A Aneel, o MME, as autoridades federais e essas distribuidoras deveriam se envergonhar por fazer isso com os consumidores de energia elétrica. Seria mais coerente a Aneel alterar a missão dela, que diz buscar a harmonia entre os agentes. Cascata: a Aneel só está interessada em proteger as empresas de distribuição. Tadinhas delas, estão pobrinhas. A missão está totalmente desequilibrada.
O pior de tudo é que ninguém parece interessado em tocar neste problema. Como o site “Paranoá Energia” não tem rabo preso e, além de fofoqueiro, é meio porralouca, reafirma que isso é uma sa-ca-na-gem da pesada. Ponto final.