Maurício Corrêa, de Brasília (com informações da Aneel e do ONS) —
O Custo Marginal de Operação (CMO), divulgado semanalmente pelo ONS, deu um salto e passou de R$ 316,18 em todos os subsistemas para o valor de R$ 489,76 no subsistema Sul, enquanto no Sudeste/Centro-Oeste ficou em R$ 477,01. No Norte/Nordeste, porém, o CMO está em R$ 306,43, segundo as informações do boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) da semana operativa que vai do dia 28 de fevereiro a 06 de março, divulgado pelo ONS.
Essa alta no CMO mostra que o Operador e a Aneel continuam sem se entender em relação às condições hidrológicas. Enquanto a alta no valor do CMO define que o Operador acredita que as perspectivas hidrológicas são negativas, a agência reguladora diz que não é nada disso e anuncia que a bandeira tarifária de março será verde para os consumidores, pois entende que os reservatórios têm muita água.
Um especialista do mercado ouvido pelo site, ao ser perguntado por essa contradição, disse apenas que “essa questão dos programas computacionais para formar preços da energia elétrica está uma zona. Ninguém se entende. Só que tem empresa quebrando por causa dessas indefinições. Seria melhor esses caras que mandam no setor elétrico chegarem a um ponto de convergência, pois as operações do mercado dependem deles”.
“Em março, a bandeira tarifária continuará verde. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (28) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Isso significa que as condições de geração de energia no país estão favoráveis e não haverá cobrança de custos adicionais na tarifa de energia do consumidor brasileiro”, diz um comunicado disponibilizado pela Aneel na internet.
Mais à frente, diz o mesmo comunicado: “Houve um aumento no volume de chuvas em fevereiro e a consequente elevação do nível dos reservatórios das usinas. Essa condição favoreceu a continuidade da bandeira verde para março. Ainda que a bandeira seja verde e as condições de geração sejam favoráveis na maior parte do tempo, importante lembrar que pode haver despacho complementar de usinas termelétricas para garantir a robustez do sistema elétrico em situações operativas específicas”.
Ou seja, a confusão é total entre o Operador e a Aneel. E a própria Aneel revela uma contradição dentro da contradição, pois sinaliza com a bandeira verde, mas também entende que as térmicas poderão ser chamadas para garantir o suprimento de energia elétrica. Traduzindo para o português, de modo algum essa confusão é uma boa sinalização para o mercado.
O boletim da Operação divulgado pelo ONS indica estimativa da Energia Natural Afluente (ENA) igual ou superior a 80% da Média de Longo Termo (MLT) em três subsistemas, ao final do próximo mês. No Nordeste, o percentual pode registrar 104% da MLT; no Norte 83% da MLT; e no Sudeste/Centro-Oeste, 80% da MLT. As projeções para o Sul indicam 40% da MLT.
As previsões para os níveis de Energia Armazenada (EAR) indicam que os subsistemas Norte e Nordeste encerrarão o mês de março com os indicadores mais favoráveis: 94,9% e 84,9%, respectivamente. Já o Sudeste/Centro-Oeste tem perspectiva de EAR em 64,5% e o Sul, em 32,9%.
“A ocorrência atual das chuvas contribuiu para melhores condições dos reservatórios, com reflexos nas projeções para o final do mês de março. Contudo, continuaremos adotando medidas operativas para preservar os recursos hídricos, já visando o próximo período seco, garantindo o pleno atendimento e estabilidade do SIN”, declarou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.
Os cenários prospectivos para a demanda de carga indicam avanço no SIN e em todos os subsistemas. Para o SIN, o índice pode atingir 1,5% (87.447 MWmed). O Norte tem a projeção de maior crescimento: 4,8% (8.232 MWmed). No Nordeste, a estimativa é de 4,3% (14.011 MWmed); no Sul, 1,0% (15.752 MWmed); e no Sudeste-Centro-Oeste, 0,3% (49.452 MWmed). Os números são comparações entre março de 2026 ante o verificado no mesmo período de 2025.