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O mercado livre está virando farelo. E agora?

Tempos atrás, quando o mercado elétrico vivia em relativa ordem, quebravam uma ou duas comercializadoras por ano. No ano passado, o negócio foi ficando mais difícil e passaram a quebrar três ou quatro por ano. Neste início de 2026, o bicho pegou pesado e passou a ser uma comercializadora quebrando por mês. Agora, já estamos chegando na situação insólita de ser praticamente uma por dia. Isso no sentido figurado, é lógico. Um especialista que entende desse mercado acredita que até o final do ano devem quebrar mais 15 ou 20 comercializadoras. Ou seja, o mercado livre está virando farelo.

Este editor não escreve isso com alegria ou satisfação. Ao contrário. Mas é um fato que está posto na mesa e merece uma profunda reflexão. Precisa ser enfrentado com coragem e determinação. Talvez esteja na hora de as autoridades do setor elétrico pensarem um pouco mais no que disse o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, na semana passada: o modelo se esgotou e está na hora de ser reformado. A quebradeira generalizada das comercializadoras é um indicativo das más condições atuais de saúde do SEB.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, se quiser, pode exercer um papel relevante em relação a esse assunto. Embora a sua assessoria seja meio fraca, ele pode enfrentar o problema, convocando todo o setor elétrico brasileiro para a elaboração de um novo modelo, algo bem próximo do que se fez nos anos 90.

É uma tarefa difícil, mas, ao final, Silveira estaria em condições de entregar ao novo presidente (que poderá ser inclusive o próprio Lula) uma proposta de novo modelo, passando por questões que, na visão do site, são fundamentais para fazer com que o SEB funcione de forma mais eficiente.

Não cumpre a este site desenhar como seria organizada a discussão sobre o novo modelo. Existem bons consultores no mercado que fazem isso com o pé nas costas. Aliás, são muito bem pagos para fazer exatamente isto. Mas o editor entende que tudo poderia ser discutido, sem preconceitos, e no final prevaleceria a vontade da maioria. Haverá lobbies? Com certeza. Mas caberá aos organizadores disciplinar as discussões e impedir que prevaleçam as vontades dos lobbies, para não cairmos nas discussões estéreis que ocorrem dentro do Congresso Nacional.

Este site passou praticamente três anos e meio malhando o ministro de Minas e Energia. Mas reconhece que Alexandre Silveira tem a autoridade ministerial e cabe a ele tomar as decisões. O ministro tem lá a sua sensibilidade e certamente não vai querer ver a crise do mercado livre se transformar em algo maior. Ele pode escolher pessoas que possam contribuir, junto com as empresas e associações, a fazer um bom modelo.

Esse novo modelo, na visão do editor, passaria pela formação de preços no setor elétrico, manter ou não a estrutura atual dos órgãos institucionais vinculados ao MME, curtailment e por aí vai. Problemas não faltam. O importante é o ministro compreender que cabe a ele, sim, estancar a crise e impedir que se transforme em algo mais agudo. Ele tem amplas condições para levar esta ideia à frente. Só depende de vontade política.

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