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Secretário Arthur Valério deixa MME

Maurício Corrêa, de Brasília —

Arthur Cerqueira Valério, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, vai deixar o cargo nesta semana, a pedido. A informação foi divulgada, nesta segunda-feira, pelo MME e pelo sistema de Comunicação do Palácio do Planalto.

Ele teve o gesto nobre de encaminhar  uma carta ao ministro Alexandre Silveira, agradecendo a confiança, o diálogo permanente e a oportunidade de contribuir com as iniciativas do MME. Não se apegou ao cargo, como muitos oportunistas que existem na Esplanada dos Ministérios. Sai decentemente do MME.

Este site entende que foi uma decisão sensata. O secretário-executivo é um profissional correto e responsável, mas deve ter tido enorme dificuldade para tocar a sua área. Segundo fontes do mercado, agora ele vai trabalhar naquilo que realmente entende, que é um escritório de advocacia.

O Brasil é um País meio estranho, no qual, por questões políticas, pessoas que não têm qualquer relação com um determinado ramo de trabalho assumem cargos de alta responsabilidade em segmentos sobre os quais não têm qualquer intimidade. Arthur Cerqueira Valério provavelmente foi uma das vítimas desse tipo de situação.

Em outra encarnação, no mesmo MME, o economista Rodolpho Tourinho, excelente secretário da Bahia na área de Finanças, virou titular da Pasta e foi um fracasso absoluto. O ministro Silveira tem o dom de indicar pessoas com perfis trocados. Um professor de História virou diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Um cidadão que é apenas filho de um ministro de tribunal superior virou conselheiro da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

Advogado conceituado, especializado no Direito Público, Valério foi advogado da União e também consultor jurídico do próprio MME. É conhecido como um grande especialista em contratos, mas passa a léguas de distância de ser alguém que possa tocar o MME na ausência do seu titular. Seus conhecimentos técnicos são limitados.

A sua própria indicação constituiu um risco para o ministro Alexandre Silveira, que também não é grande conhecedor da área. Hoje, obviamente, depois de alguns anos à frente da Pasta, o ministro deve entender pelo menos o jargão técnico.

Mas num ministério essencialmente técnico, em que o ministro não manja do negócio e o secretário-executivo, o seu braço direito, entende muito menos, fica tudo muito difícil. Não é sem razão que o MME é considerado um ministério que não agrega muita coisa ao prestígio do presidente Lula. Ao contrário, tira.

Deve ter sido um alívio para Arthur Cerqueira Valério deixar o MME. Ele agora está voltando para a sua área natural de trabalho, onde, certamente, será mais feliz.

O site lhe deseja sucesso no retorno à carreira do Direito.

Atualização do texto:

O MME disponibilizou uma nota à imprensa na sua homepage, destacando que Arthur Valério “teve atuação central na gestão do MME, sendo um dos principais articuladores da implementação das políticas públicas conduzidas pelo ministro Alexandre Silveira. À frente da Secretaria-Executiva, desempenhou papel fundamental na coordenação administrativa, institucional e técnica do ministério, assegurando eficiência à execução das diretrizes estabelecidas pelo ministro. Durante sua gestão, participou ativamente do processo de modernização do marco legal do setor elétrico, com foco na abertura do mercado de energia, no reequilíbrio setorial e no fortalecimento da competitividade, em consonância com a visão do ministro Alexandre Silveira”.

“Após cumprir as limitações legais relativas ao período de quarentena, Arthur Cerqueira Valério deverá iniciar atuação na advocacia privada, dando continuidade à sua trajetória profissional, agora, fora da administração pública. O Ministério de Minas e Energia agradece a dedicação, o profissionalismo e a contribuição do secretário-executivo Arthur Cerqueira Valério ao fortalecimento das políticas públicas dos setores de minas e energia do país”.

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