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Os tabus do SEB

Enquanto o setor elétrico brasileiro não decidir enfrentar corajosamente dois gargalos que o incomodam há anos, não se pode dizer que este mesmo SEB é um mercado maduro e pronto para enfrentar seus desafios. Ao contrário, está se enganando a si mesmo.

Uma dessas duas questões é a utilização de programas computacionais para formatar os preços da energia elétrica. É uma vergonha que o Brasil ainda use esse tipo de mecanismo.

Ele simplesmente quer dizer que as pessoas que trabalham na área de energia elétrica não dispõem de condições intelectuais para calcular o preço dessa mesma energia. Então, comodamente, todos recorrem aos programas computacionais, para alegria dos consultores especializados.

Isso é impressionante, pois se existe um segmento onde os profissionais são altamente qualificados, este é o setor elétrico. Mas é muito curioso. Apesar de toda a qualificação (o SEB tem centenas de trabalhadores dotados de mestrado e doutorado, além de cursos de graduação difíceis, como áreas da Engenharia, Economia, Direito e Administração, entre outros) dizem que o pessoal não está devidamente preparado para saber o valor de energia elétrica, para vender e para comprar. Isso é muito curioso e realmente difícil de entender. É um sinal de burrice coletiva, ao que tudo indica, que misteriosamente afeta o setor elétrico como um todo.

Além disso, todo mundo passa o pano nessa questão e vai em frente com os tais programas computacionais de formação de preços, pois todos têm medo de ultrapassar a linha vermelha e reconhecer que esses programas não valem nada, que são absolutamente inúteis. É dinheiro jogado fora, menos para os felizes consultores especializados, é lógico.

Então, no entendimento deste idoso editor, falar que o SEB é isso ou aquilo, o melhor do mundo, e precisar de programas de computador para indicar preços para comprar e vender energia elétrica, desculpem a franqueza, mas esse SEB não está com nada.

A segunda questão diz respeito especificamente ao mercado livre de energia elétrica. Dizem que ele está bombando e que já é responsável por 50%, talvez um pouco menos, talvez um pouco mais, da energia comercializada no País.

Como talvez grande parte dos leitores saiba, este editor já teve uma militância modesta no mercado livre e fica muito feliz com o seu crescimento. Ele é um firme apoiador do ML.

Entretanto, tem uma questão — já abordada neste site — que os comercializadores precisam superar e aparentemente não fazem esforços para avançar neste quesito.

Trata-se das garantias oferecidas pelos comercializadores. É lógico que elas precisam ser compatíveis com os volumes transacionados. Caso contrário, continua sendo um convite ao calote, como tem acontecido ao longo de muitos anos, inclusive recentemente, deixando o mico nas mãos dos vendedores de energia, principalmente os geradores. Hoje, o vendedor, dependendo de quem está comprando a energia, não tem a menor certeza se vai receber o seu dinheirinho ou se vai entrar numa fila de credores de um processo de recuperação judicial.

Ora, não é justo perpetuar esse desequilíbrio e essa incerteza. O site entende de forma clara que a questão é simples: o amigão aí quer operar no mercado elétrico, tudo bem. Ninguém tem nada contra. Desde que ele ofereça garantias prévias de qualidade. Não vale um CDB desse bancão que está no noticiário policial nas últimas semanas. O amigão terá um limite para operar. Passou do limite da garantia, ele não pode operar, ou seja, não tem mais calote. O que dizem a Aneel, a CCEE, o MME? Nada. Ninguém quer ouvir falar em aportar garantias firmes antes do fechamento do negócio. Virou um tabu. Em ano eleitoral, então, Deus nos acuda.

Aliás, são duas questões que envolvem o mercado livre, pois a associação dos comercializadores, a Abraceel, é firme defensora desses programas computacionais de formação de preços e, portanto, diz diariamente aos seus próprios associados que eles são incompetentes para calcular o preço da energia elétrica.

Enfim, são questões que precisam ser resolvidas, na opinião modesta deste idoso editor. Muita gente tem dito por aí que o editor, na medida que fica mais idoso, está ficando totalmente gagá e pode ser verdade. São circunstâncias de uma vida bem vivida. Pobre em dinheiro, mas rica em emoções. Como o editor é um bicho teimoso e não quer visitar o geriatra, os leitores vão ter que aguentar por mais um tempo estas e outras provocações.

Estamos conversados.

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