A concessionária Neoenergia Brasília é uma empresa realmente fantástica.
A sua área de concessão é o que se denomina, no setor elétrico, de verdadeiro filé mignon em todo o País.
Os consumidores fazem parte do grupo que têm a renda per capita mais alta do Brasil. Por isso, a sua inadimplência é baixa, em comparação com outras distribuidoras.
Esse índice é inferior a 1%, o que significa mamão com açúcar em contraste com outras empresas similares e também premia os esforços da concessionária para receber as suas contas de luz. Existem aí algumas contradições, como se pode ver nesta nota.
Na área de concessão da Neoenergia Brasília, se comparando com cidades como Rio de Janeiro ou Salvador, por exemplo, não tem favelas verticais. E as horizontais não são muitas. Também é relativamente pequena a área de consumo rural.
Apesar de tudo isso, a Neoenergia, que deveria ser uma empresa modelo, não o é. E por que não é uma distribuidora modelo? Simplesmente porque é uma empresa complicada. Tanto que não goza de bom conceito junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Conforme este site anunciou, na semana passada, uma nota técnica da Aneel datada de 26 de maio recomenda que a agência reguladora abra um processo administrativo contra a distribuidora Neoenergia Brasília por descumprimento das cláusulas do contrato de concessão.
Segundo a NT, a distribuidora tem sido reincidente no atendimento de má qualidade aos consumidores do Distrito Federal, principalmente em relação aos indicadores que medem a duração e a frequência dos desligamentos.
Nesta segunda-feira, dia 1º de junho, um leitor de Brasília entrou em contato com o site “Paranoá Energia”, para, com perplexidade, narrar uma situação prá lá de kafkiana que o envolve enquanto consumidor de energia elétrica no Distrito Federal e que mostra o pouco caso da concessionária com questões reais de atendimento aos seus consumidores.
Segundo esse consumidor, a Neoenergia Brasília simplesmente não entregou as contas de luz impressas para os moradores residentes no bloco E da Quadra 313 Norte, na Capital Federal. Para quem não conhece, uma região super-tranquila, na Asa Norte de Brasília, fácil de ser acessada por qualquer entregador de conta de luz.
O morador então entrou no aplicativo da concessionária e “descobriu” que não há imóvel cadastrado, na empresa, com o CPF dele. Curioso, pois ele já vive nesse imóvel há algum tempo e já pagou outras contas.
Tentou a tal Agência Virtual da Neoenergia Brasília e a informação foi a mesma. Aí foi para o teleatendimento através do 116 e a operadora de plantão informou que vários consumidores estão com o mesmo problema e que o leitor do site em questão deveria fazer nova tentativa dentro de 24 horas, pois o teleatendimento estava sem conexão com o sistema da empresa.
Foi recomendado que o leitor talvez poderia resolver o seu problema numa ida a alguma agência física da Neoenergia Brasília. Detalhe: se no final o pobre consumidor conseguir uma segunda via da conta, mas o prazo já estiver vencido, terá que pagar uma multa. Que beleza!
O mais curioso é que esse relato do site mostra a situação de um cliente que apenas deseja pagar uma conta. Ele não quer receber dinheiro da Neoenergia, ao contrário, quer dar dinheiro para a concessionária.
É por esta e outras razões que a Neoenergia Brasília concorre seriamente ao prêmio de “Pior Distribuidora” do Brasil, instituído por este site. Ela disputa palmo a palmo a premiação com outra belezura da área de distribuição de energia elétrica, a Enel SP.
Se a Neoenergia Brasília tem dificuldade para receber o seu dinheiro, o que será que a investigação da Aneel vai encontrar nos livros dessa empresa em termos operacionais?
Cruz credo.