Este idoso editor não ficou alheio à histórica decisão da 7ª Turma do TRF1, que, no último dia 26 de maio, decidiu contra as empresas de transmissão de energia elétrica e determinou que fossem devolvidos aos consumidores os valores indevidamente cobrados de consumidores, a título de indenização.
Como diria o colunista Ibrahim Sued, bola preta naturalmente para as transmissoras, que só querem ganhar dinheiro com facilidade, sem fazer muito esforço, e para o MME, que, nessa briga desigual, ficou no lado das empresas.
Bola branca para os juízes que analisaram corretamente a questão e também bola branca para o engenheiro eletricista e advogado Romário de Oliveira Batista, servidor aposentado da Aneel, que estudou a matéria por longo tempo e se empenhou por conta própria para acabar com a mamata pretendida pelas empresas de transmissão de energia elétrica.
O setor elétrico brasileiro é cheio de mistérios e um deles é porque razão as transmissoras recebem uma grana torta sem a necessidade de produzir. Elas têm apenas a obrigação contratual de deixar as suas linhas em condições de passar a energia elétrica de um lugar para outro. Não importa se passar 1, 100 ou 1000. Elas recebem o que está previsto no contrato, ciao e benção. Assim, até este idoso editor, que é completamente idiota, também quer ser dono de uma empresa de transmissão.
Esse mistério explica porque o setor elétrico brasileiro inteiro está em crise, menos as transmissoras. Lógico: a receita delas é super-garantida.
O mais estranho nesse episódio da vitória dos consumidores contra as transmissoras, no âmbito do TRF1, é que alguns veículos de comunicação noticiaram que a Aneel poderá, talvez, entrar com recurso para impugnar a decisão e restabelecer o jogo em favor das transmissoras.
Se isso acontecer, o editor do site “Paranoá Energia” não vai estranhar, pois à Aneel só interessa proteger as empresas do setor elétrico, contra os interesses dos consumidores de energia elétrica. Embora a sua missão seja proteger os consumidores, a Aneel há anos sente um estranho prazer em proteger apenas as empresas.
Isso vem ocorrendo na maior cara de pau, por exemplo, com as distribuidoras, que ganham reajustes anuais muito acima da inflação. E a Aneel, que não esconde a sua admiração pelas empresas, só fica assistindo essa extraordinária transferência de renda para os cofres das empresas, em detrimento dos consumidores.