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CCEE não resolve o problema do GSF e delira com questões sociais

Deve ter uma cabeça de burro enterrada nas imediações do prédio da CCEE, em São Paulo, pois a Câmara não consegue resolver o problema do GSF, apesar do empenho dos seus dirigentes.

Há anos atrás, um presidente do Conselho de Administração da CCEE deitou falação, espalhando para todos os cantos que o problema do GSF, que incomoda o setor elétrico, estava resolvido. Não estava.

Há poucos dias, a Câmara realizou um leilão dos valores do GSF e os atuais gestores da Câmara também comemoraram. Talvez tenham sido movidos pelo entusiasmo, pois a proposta do leilão era uma ideia inovadora e poderia dar certo. Só que deu certo apenas parcialmente.

Agora, a CCEE informa que concluiu na última quarta-feira, 06 de agosto, a liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP) referente a junho de 2025. A Câmara liquidou R$ 2,11 bilhões, do total de R$ 3,29 bilhões contabilizados. Ou seja, ainda tem um troco de R$ 1,09 bilhão ainda pendente e que está relacionado a liminares do risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês). Tem uma bagatela de R$ 32,66 milhões correspondente a parcelamentos e outros valores não pagos somam R$ 53,18 milhões.

Resumo da história: a CCEE ainda precisa gastar muita massa cinzenta e tentar encontrar outras soluções criativas, além do leilão, para resolver de vez a questão das pendências geradas pelo GSF, que se arrastam há vários anos e ninguém consegue acabar com isso.

Enquanto o GSF se arrasta sem solução definitiva, a CCEE segue extremamente criativa em outros segmentos que apenas tangenciam a sua atividade-fim, pois dizem respeito à sociedade como um todo. Quem olha, até pensa que a CCEE está querendo se transformar numa espécie de ONG.

A Câmara informou que vai realizar, em setembro, a segunda edição do “EncontroCCEE sobre Diversidade & Inclusão no setor elétrico”, consolidando o evento “como um espaço de diálogo e inspiração para o futuro do mercado”.

Impossível contrariar a ideia que se trata de uma iniciativa muito nobre da CCEE, cuidar da inclusão e da diversidade, mas o fato é que isso não tem uma relação direta com as atribuições da CCEE. Tem alguém na CCEE delirando. Este editor não é um ogro e acredita, sim, que a sociedade tem que examinar com carinho as questões relacionadas com a inclusão social e a diversidade. Mas também acredita que isso não é função da CCEE.

Muitas empresas do setor elétrico têm programas de inclusão e diversidade, mas elas gastam o dinheiro delas, dos seus acionistas e ninguém tem nada com isso. Será que os associados da CCEE, que vivem reclamando do orçamento da Câmara, concordam com a ideia de fazer esse encontro? Se concordam, tudo bem e este editor pede desculpas pelo engano. Mas este editor tem certeza que tem gente que não concorda. Tanto que vieram fofocar com o responsável pelo “Paranoá Energia”, descendo o malho nos dirigentes da CCEE.

Um comunicado divulgado pela Câmara diz que “a segunda edição será realizada em setembro, reunindo profissionais, lideranças e especialistas comprometidos com a construção de ambientes mais diversos, equitativos e inclusivos. A programação contará novamente com painéis que destacam as práticas já implementadas e seus impactos reais nas organizações. Para compor essa troca de experiências, a CCEE convida empresas para enviar seus cases de sucesso relacionados ao tema até o dia 15 de agosto”. As iniciativas serão avaliadas pela equipe da Câmara e as selecionadas serão apresentadas durante o evento.

É um desafio interessante. Mas a CCEE também poderia lançar outros desafios. Poderia fazer uma consulta ao setor elétrico como um todo, solicitando ideias para resolver em definitivo o problema do GSF. Um apelo do tipo: “Gente, não dá para ficar arrastando esse problema. É uma vergonha. A CCEE aceita sugestões para que sejam tomadas iniciativas que possam acabar com as pendências do GSF definitivamente. Ainda temos um problema do tamanho de R$ 1 bilhão para resolver. Vamos colaborar, pessoal”.


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