Maurício Corrêa, de Brasília —
As atividades da EPE Tour, envolvendo viagens de empregados e diretores da EPE, não começaram ontem. Fontes revelaram ao site Paranoá Energia que Heloísa Borges Bastos Esteves, diretora de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, de 2023 para cá (os dados de 2025 ainda não estão consolidados) recebeu a bagatela de R$ 204,7 mil em diárias. A emissão de suas passagens, por conta de viagens a serviço pela EPE, somaram R$ 370,6 mil.
Em 2024 e 2025, o diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Reinaldo da Cruz Garcia, recebeu R$ 107,5 mil na forma de diárias, tendo gerado despesas de R$ 172,8 mil, nos dois exercícios, por conta da emissão de passagens.
Da mesma forma, em 2024 e 2025, o presidente da EPE, Thiago Guilherme Ferreira Prado, embolsou diárias que totalizavam R$ 216,3 mil. Suas passagens por conta de viagens a trabalho pela EPE somaram R$ 299,7 mil
Finalmente, o diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais, Thiago Ivanoski Teixeira, recebeu um total de diárias de R$ 33,8 mil, em 2024 e 2025. Suas passagens para viagens emitidas pela EPE, por conta de trabalho, no mesmo período, alcançaramR$ 74,1 mil.
No total, apenas esses quatro diretores da EPE representaram gastos, entre diárias e passagens emitidas, da ordem de R$ 1,4 milhão, no período analisado.
Este editor não acredita na tese que os diretores da EPE estejam inflando as viagens nacionais ou internacionais para aumentar a renda. Seria muito mesquinho alguém pensar assim. Ao viajar, o empregado tem gastos, que efetivamente precisam ser cobertos pelas diárias. Dependendo da situação, em muitos casos o valor da diária não cobre os gastos que o empregado terá. Não são raros os casos em que empregados que viajam com despesas cobertas por diárias às vezes têm que gastar do próprio bolso, pois as diárias são insuficientes e não cobrem todos os gastos pessoais.
O que o site “Paranoá Energia” coloca em discussão é outra coisa: é a necessidade da viagem. Por exemplo: o presidente Thiago Guilherme Ferreira Prado assinou a autorização para que seis técnicos da sua equipe participem de um evento em Houston, no Texas, em maio próximo. Viagens com ônus para a EPE, que mostra que aparentemente está nadando no dinheiro.
Isso pode até acontecer no setor privado, mas dificilmente alguém vai ver seis empregados de uma mesma empresa participando de um evento em outro país, com todas as despesas pagas pela empresa. Na EPE, esse tipo de situação aparentemente é comum, pois seus técnicos gostam de viajar e a organização não parece preocupada com os custos da rubrica “Viagens”.

Mais viagens
Um ponto que se destaca na EPE é que seus dirigentes não medem as consequências e autorizam a viagem de empregados ao exterior por atacado, mostrando que a empresa realmente está com excelente nível de folga de caixa. É tudo com ônus, ou seja, com as despesas pagas pela EPE. Desse jeito, a EPE Tour vai se transformar na principal agência de viagens dentro do MME, deixando a Aneel Tour totalmente no chinelo.
Nesta terça-feira, por exemplo, o DOU publicou mais quatro autorizações de viagem ao exterior de pessoal da EPE:
- Paula Isabel da Costa Barbosa, analista de pesquisa energética, vai à Holanda, no período de 16 a 24 de maio, participar do evento “European Biomass Conference and Exhibition;
- Natália Gonçalves De Moraes e Theo Juliano Pagartanidis, ambos analistas de pesquisa energética, foram autorizados a viajar ao México, no período de 11 a 19 de abril, para participar de um treinamento denominado “Latin America and the Caribbean Energy Efficiency Policy Training Week 2026”;
- Outra analista de pesquisa energética, Thais Accioly Araújo, vai viajar à França, de 15 a 20 de março, para participar do evento “Future of Energy Skills”.
Esse povo da EPE não brinca em serviço. Viajar é com eles mesmos.