A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta quarta-feira, 23, que a companhia continuará priorizando investimentos no setor de Exploração e Produção (E&P) e na expansão do refino. Ela destacou ainda os esforços da empresa no continente africano.
“Estamos acreditando na área que anunciamos no dia 17 (de setembro) na Costa do Marfim. Onde tiver similaridade com o Brasil (na África) vamos estudar”, afirmou a executiva durante a J.Safra Investment Conference, em São Paulo.
Apesar de perguntada, a dirigente não comentou o impacto que a empresa poderá ter se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprir a ameaça de suspender as exportações de diesel do país. Mas ao longo da apresentação afirmou que na sua gestão “repaginou o parque de refino”, que hoje produz mais de 100% da sua capacidade.
“Avançamos na produção de diesel e a expectativa é ser autossuficiente no próximo quinquênio”, confirmou Magda.
Ela explicou ainda, que a empresa está dedicada a recuperar a produção de campos maduros, como os da bacia de Campos, que segundo ela produziu apenas 18% do seu potencial e pode elevar esse patamar para 30%/35% com a revitalização desses campos, prática intensificada na sua gestão.
“Precisamos ter mais esforços nos campos maduros para tirar mais deles. Já os campos economicamente marginais são diferentes. É animal que precisa ser tratado com terceirização e operação ou cessão de direitos”, explicou.
Parceria com a ExxonMobil
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, disse, nesta quarta-feira, 23, que a estatal mantém conversas com a ExxonMobil para somar esforços na obtenção de licença ambiental para os blocos que as duas empresas arremataram na Bacia da Foz do Amazonas, no 5º Ciclo de Oferta Permanente de Concessão, realizado em 2025 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“A ideia é que eles, como operadores, também demandem uma licença para os poços em que nós somos parceiros. A Exxon já tem a sísmica daqueles blocos”, disse a jornalistas, ao participar da ROG.e 2026, principal evento de energia organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
Nos blocos FZA-M-1040, FZA-M-1042, FZA-M-188, FZA-M-190 e FZA-M-403, o consórcio terá a Petrobras como operadora, com participação de 50% da ExxonMobil. Nesses, a estatal aguarda o aval do Ibama.
Já nos blocos FZA-M-477, FZA-M-547, FZA-M-549, FZA-M-619 e FZA-M-621, a ExxonMobil será a operadora, e a Petrobras terá participação de 50%.
Em relação à presença na Foz do Amazonas, a executiva reiterou que a estatal é uma das empresas atendidas pela realização do levantamento sísmico 3D contratado das especializadas SLB e Shearwater GeoServices. Entre as petroleiras também está a Chevron, que estuda uma área localizada a aproximadamente 130 quilômetros do poço exploratório Morpho.
Sobre o poço pioneiro na Margem Equatorial, Sylvia reiterou que é necessário confirmar a viabilidade comercial do óleo para avançar com os próximos passos, como a estrutura logística.
A estatal já recebeu autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para perfurar três poços adjacentes a Morpho e aguarda licenciamento para outros cinco poços em blocos adjacentes ao FZA-M-59. A executiva reiterou que, no momento, o foco é avançar com a perfuração de Manga, Crotalus e da extensão de Morpho.
‘Não estou olhando para a Venezuela, estou estudando blocos na África’
Sylvia Anjos reiterou que a estatal segue focada em ampliar a busca por possíveis áreas na costa do continente africano para reposição de reservas. Nesta quarta-feira, 23, a companhia divulgou um memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), de Moçambique, e, na última semana, assinou oito contratos de partilha de produção na Costa do Marfim.
“Eu não estou olhando muito para a Venezuela. Estou olhando para a África, estudando todos os blocos disponíveis para estarmos prontos para os próximos bids”, disse.
Em relação a projetos na Colômbia, onde a estatal anunciou, em agosto, uma nova descoberta de acumulação de gás no poço exploratório Sandia-1, no bloco GUA-OFF-0, em águas profundas, os estudos seguem avançando.
“Fizemos um projeto bastante inovador. Por ser gás metano, um gás limpo que não precisa processar, ele vai sair do fundo do mar, por gasodutos, até chegar ao terminal. Não vai ter plataforma. Já temos o modelo. Temos que continuar a provar o projeto”, afirmou.
