A Petrobras atingiu nesta sexta-feira, 14, o reservatório do poço de Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, identificando a descoberta de óleo. A informação foi apurada pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, e confirmada pela estatal minutos depois.
O fim da campanha de exploração no poço pioneiro nas águas ultraprofundas da região havia antecipado pela diretora de Exploração & Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em evento nesta semana. Em entrevista na terça-feira, 11, a executiva afirmou que a descoberta aconteceria em dois ou três dias.
Morpho está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros. A Petrobras é a operadora do bloco FZA-M-59, onde está Morpho, e detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob o regime de concessão.
“Notícia do século”
O governador do Amapá (AP), Clécio Luís (União), afirmou que a descoberta de evidências de óleo ou gás natural no primeiro bloco prospectado pela Petrobras na Margem Equatorial é “a notícia do século” em relação à possibilidade de desenvolvimento de novos empreendimentos na Região Norte do Brasil.
“Talvez essa seja a notícia do século em relação a novos projetos, ao desenvolvimento, a novos empregos, tudo o que nós estamos construindo, sonhando e trabalhando com esse momento”, disse, em vídeo postado em suas redes sociais. “Essa descoberta representa muito para o Brasil, para a geopolítica, para a estratégia brasileira de desenvolvimento”, complementou.
O governador argumenta que a atividade pode impulsionar a arrecadação estadual, gerar empregos e atrair investimentos para infraestrutura, logística e serviços no Estado.
A perfuração deste poço foi autorizada em outubro de 2025, após um processo de licenciamento ambiental que levou cerca de 12 anos. O projeto esteve no centro de debates entre defensores da exploração, que apontam potencial econômico, e grupos ambientalistas, que alertam para os riscos ambientais na região amazônica.
O governador e outras lideranças políticas da Região Norte, como o governador e o presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), também comemoraram o anúncio e defenderam a continuidade das pesquisas exploratórias.
“Alívio e confiança”
A Federação da Indústria do Estado do Pará (Fiepa) afirmou em nota ter recebido “com alívio e confiança” a descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. Para a entidade, a notícia representa um avanço após anos de discussões em torno do direito do Brasil de conhecer o potencial energético da região e reforça a importância de conciliar desenvolvimento econômico, transição energética e rigor ambiental.
“É uma vitória contra aqueles que insistem em boicotar o desenvolvimento do País e tratar a Amazônia como um território onde tudo deve ser proibido. Depois de tanta luta para que o Brasil tivesse o direito de conhecer o seu próprio potencial, recebemos essa notícia com alívio. A ciência e a técnica precisam estar acima de discursos ideológicos que condenam o Norte ao atraso”, declarou o presidente da federação, Alex Carvalho.
Para a Fiepa, o potencial energético da região deve se traduzir em desenvolvimento para a Amazônia. A instituição defende que o avanço dessa agenda estimule investimentos em infraestrutura e tecnologia, fortaleça fornecedores locais, amplie a qualificação profissional e gere empregos e renda.
“A Amazônia não pode continuar pagando o preço de um falso dilema entre desenvolver e conservar. O Norte tem direito ao desenvolvimento – com responsabilidade, segurança e respeito ao meio ambiente”, acrescentou Carvalho.
“Sonho que se torna realidade”
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a descoberta de evidências de óleo no primeiro bloco prospectado pela Petrobras na Margem Equatorial é um “sonho que se torna realidade”.
“O Amapá lutou mais de 10 anos para ter o direito de pesquisar esta riqueza”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais. “Um sonho se torna realidade com esta informação. O Estado poderá, a partir desta riqueza, trazer frutos, desenvolvimento e progresso para o povo do extremo Norte do Brasil”, disse.
A descoberta ocorre após mais de uma década de debates sobre a viabilidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira. A Petrobras conseguiu o aval do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro de 2025.
Nos últimos anos, a região esteve no centro de discussões entre governo, Petrobras e órgãos ambientais, que analisaram os impactos e as condições para a realização das atividades exploratórias na costa Norte do País.
Apesar da descoberta, a produção comercial de petróleo ainda dependerá de novas etapas de avaliação técnica. A Petrobras deve realizar estudos complementares para dimensionar a extensão da reserva e verificar a viabilidade econômica da exploração antes de uma eventual declaração de comercialidade do campo.
