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Cebri discute integração energética da AL

Da Redação, de Brasília (com apoio do Cebri) —

Não haverá transição energética se não houver integração energética entre os países da América do Sul. A mensagem foi compartilhada entre os participantes da conferência “Integração regional como catalisador para a transição energética”, organizada pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e o Institute of the Americas.

Nesta quarta-feira, 11 de dezembro, o evento reuniu no Hotel Fairmont, em Copacabana, especialistas nacionais e internacionais, além de líderes dos setores público e privado, para abordar em profundidade os avanços tecnológicos, a integração regional e a sustentabilidade, debatendo questões urgentes da transição energética.

“Essas interações envolvendo diferentes regiões e instituições latinoamericanas, desde organizações de pesquisa até institutos de estudos, bancos multilaterais e empresas do setor de energia, mostram um enorme potencial para novos negócios. Integrar diferentes regiões traz ganhos significativos que os países não conseguem alcançar isoladamente”, afirmou Rafaela Guedes, senior fellow do Cebri, que moderou os debates ao lado de Jeremy Martin, vice-presidente de Energia e Sustentabilidade do Institute of the Americas.

A especialista afirma que, na região, a energia deve ser vista não apenas como um serviço de utilidade pública de um país para o outro, mas como moeda de troca regional: “É um bem estratégico a ser negociado e valorizado. Essa perspectiva pode transformar a integração energética em ferramenta poderosa para o desenvolvimento econômico e
sustentável da América Latina’. disse Rafaela Guedes.

O encontro foi uma oportunidade para explorar soluções inovadoras, discutir como a colaboração regional pode impulsionar a transformação necessária rumo a um futuro mais sustentável e eficiente. A programação incluiu debates sobre integração elétrica na América do Sul, modernização de infraestruturas e o papel do gás natural e do hidrogênio na descarbonização.

Os desafios para essa integração também foram abordados. Para Ana Zettel, assessora da Presidência do BNDES, as diferenças entre regimes políticos e tributários e a falta de uma visão pragmática são os principais entraves para uma colaboração mais efetiva.

“Quanto mais tempo passa, mais caro se torna para fazermos as adaptações necessárias, mais cara se torna a mudança. A palavra é cooperação: é mais barato colaborar. Se não por amor, que seja pela economicidade”, resumiu.

O BNDES pode desempenhar um papel fundamental no fornecimento de financiamento, afirma Alexandre Siciliano, diretor de Transição Energética do Departamento de Clima do banco.

“Não apenas por meio de seus programas, mas também estruturando recursos de forma a alinhar os fundos internacionais às condições locais, considerando os pontos fortes de nossos parceiros multilaterais”, afirmou. “Com mais de US$ 36 bilhões em financiamento, demonstramos a capacidade de gerenciar e fornecer crédito robusto para
atender às necessidades críticas. Isso inclui o financiamento de tecnologias emergentes, como energia eólica, solar e hidrogênio de baixo carbono, bem como a expansão do sistema elétrico nacional e da infraestrutura para a integração de gás natural e hidrogênio na matriz energética”, avaliou.

 

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