Os preços praticados no leilão de energia nova A-4, realizado na manhã desta quarta-feira, 04 de abril, pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) surpreenderam o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Barroso. Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, ele salientou que a energia contratada, com um deságio médio de 59,7% em relação ao preço teto estabelecido, deve contribuir para a modicidade tarifária e ainda corroboram com a visão de que as fontes renováveis alcançaram um amadurecimento que permitirá uma mudança no modelo de contratação, como pretende a gestão atual do governo.
“Fecha com chave de ouro a gestão do ministro”, acrescentou Barroso, referindo-se ao fato de que o titular do Ministério de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, deve deixar o cargo até a próxima sexta-feira para disputar as eleições de outubro. O leilão contratou 298,7 MW médios de energia proveniente de 39 empreendimentos, em sua maioria (29) projetos fotovoltaicos. O preço médio dessa fonte no certame foi de R$ 118,07/MWh, o que corresponde a um deságio de 62% em relação ao valor máximo estabelecido. Foram contratados 4 parques solares, a um preço médio de R$ 67,6/MWh, um desconto de 73,5% ante o preço-teto para a fonte.
Barroso salientou que o preço dessas duas fontes em dólares – US$ 35/MWh solar e US$ 20/MWh eólico – ficou em linha com o que vem sendo observado no mercado internacional, o que demonstra que a fonte no Brasil alcançou maturidade. “Amadurecimento das fontes permite uniformizar e dar mais isonomia entre tecnologias”, disse, referindo-se ao fato de que o governo pretende a partir do próximo leilão passar a contratar novos projetos pela modalidade “quantidade”. Conforme definiu, esse movimento significa transferir ao gerador o risco com um eventual déficit na produção de energia, em relação ao volume compromissado. Hoje esse risco é assumido pelo consumidor.
Opinião da Abeeólica
O preço da energia eólica no leilão A-4 realizado nesta quarta-feira – de R$ 67,6 por megawatt-hora, o que representou deságio de 73,5% frente o preço máximo estabelecido -, é fruto de questões conjunturais brasileiras, como, por exemplo, o grande volume capacidade ofertado e a baixa demanda relatada pelas distribuidoras, avaliou a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
A entidade lembrou que o setor ficou dois anos sem leilão – de novembro de 2015 a dezembro de 2017 – e avalia que isso causou um grande represamento de projetos. “Ainda que a queda dos preços das eólicas seja uma tendência global, no caso do Brasil ainda é cedo para afirmar que o setor encontrou uma média de preços que venha a ser adequada para um cenário futuro, com economia crescendo e com contratações de energia que atendam às necessidades de expansão da matriz elétrica brasileira”, afirmou
A declaração está em linha com a avaliação de autoridades governamentais, que consideraram o preço um fato possivelmente isolado, tendo em vista que foi contratado um baixo volume proveniente dessa fonte, em quatro projetos provenientes de um mesmo empreendedor.
A Abeeólica também sugere que as decisões estratégicas que podem ter incluído a venda de parte da energia no mercado livre, o que significa que o valor apresentado não seria exatamente o “preço puro da energia no leilão”, já que a receita proveniente do valor vendido no leilão seria balanceada com receitas que virão de venda da energia a outros valores, no mercado livre.
O leilão A-4 comercializou 114,4 MW de capacidade eólica, em quatro projetos localizados na Bahia, que exigirão mais de R$ 600 milhões em investimentos.
