Maurício Corrêa, de Brasília —
Quando tomou posse como presidente brasileiro da binacional Itaipu, Luiz Fernando Leone Vianna acreditava que seria apenas o gerente de uma grande hidrelétrica. Descobriu, porém, que a maior UHE do mundo é mais do que isso. Na sua área também se encontram um centro de desenvolvimento de veículos elétricos, uma usina de biogás e até mesmo um centro de estudos latinoamericanos. “Itaipu tem uma missão muito importante”, disse Luiz Fernando, nesta segunda-feira, 05 de junho, em Brasília, após a cerimônia de entrega, em regime de comodato, de um veículo elétrico para uso do ministro de Minas e Energia.
“Ele fez a apresentação, em Brasília, do Programa de Mobilidade Elétrica Sustentável de Itaipu. “O projeto é muito mais do que o do carro elétrico. Na ONU, tivemos o reconhecimento de ser uma geradora de energia limpa e um exemplo de relacionamento entre dois países, com base em um tratado que é positivo para Brasil e Paraguai. O rio Paraná une os dois países”, assinalou, frisando que a UHE também financia “um avião que voa” com combustível limpo.
Embora há muito tempo a UHE esteja invadindo espaços que na realidade deveriam ser da competência do Estado, o que causa impactos nos seus custos, essa utilização da usina como mecanismo de fomento regional parece não preocupar Luiz Fernando Vianna, tanto que ele pretende continuar trabalhando na mesma direção. “Há uma fila para o carro elétrico. Espero que nosso programa continue e que o carro elétrico seja realidade”, frisou.
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que de fato a usina desenvolve vários projetos na linha da sustentabilidade, até porque a questão socioambiental precisa ser gerenciada com muita atenção pela UHE. “Não dá para imaginar o setor elétrico operando sem oferecer a devida atenção à sustentabilidade”, argumentou Romeu.
O carro elétrico, na visão do ministro Fernando Bezerra Coelho Filho, é uma questão simbólica, para encorajar outras pessoas a tomar a mesma atitude de utilizar veículos elétricos. Depois, numa entrevista, ele reconheceu que existe muito questionamento quanto à diversidade de objetivos na atuação da binacional. “Devemos sempre buscar a lógica das coisas. Muitas (coisas) precisam ser revistas, mas não podemos desmobilizar de uma hora para outra. Se for encontrada alguma distorção, precisaremos aprimorar. O que não for suficientemente exitoso, poderemos rever e evitar passar o custo para a empresa”, esclareceu o ministro.
Na sua visão, entretanto, é necessário olhar para um outro conceito, que não é cuidar apenas do veículo elétrico, mas do meio-ambiente. Ele reafirmou o seu ponto de vista contrário ao estabelecimento de subsídios para veículos elétricos, mas garantiu que gostaria de entender por qual razão os veículos do tipo flex têm apenas 7,5% de alíquota de IPI, enquanto para os veículos elétricos o mesmo imposto sobe para 25%.
“Temos muito dever de casa, ainda, para fazer. Não adianta acabar com um subsídio e criar outros”, complementou o ministro. Para o presidente brasileiro da UHE Itaipu, a geradora encarna muito bem o conceito de empresa cidadã, mostrando que as suas preocupações com os impactos do meio-ambiente extrapolam a operação elétrica. Ele também disse que a receita de Itaipu com a geração elétrica é suficiente para bancar os gastos com outras finalidades.