Visivelmente constrangido, Ricardo Brandão, diretor de Regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) foi um dos defensores da concessionária Enel, de São Paulo, na reunião da diretoria colegiada da Aneel que discutiu um recurso interposto pela empresa para suspender o processo de caducidade de concessão aberto pela agência reguladora, diante dos inúmeros equívocos praticados pela empresa italiana na sua área de concessão (a Capital do Estado de São Paulo e 24 municípios integrantes da área metropolitana).
Profissional correto e respeitado no mercado, Brandão foi defender a Enel SP, que é um dos seus patrões. Não adiantou muita coisa, pois a diretoria da Aneel por unanimidade derreteu a tese defendida pela Enel, por Brandão e todos os defensores da concessionária.
Não é fácil defender o próprio contracheque, que não deve ser de baixo valor, como fez Ricardo Brandão. Aliás, a situação foi ainda mais constrangedora porque ele já ocupou por bom período o cargo de procurador-geral da ´própria Aneel.
Este idoso editor sabe como são essas coisas e confessa que não gostaria de estar na função do diretor da Abradee. Em outra encarnação, quando foi dirigente de uma associação empresarial do setor elétrico, também teve a obrigação profissional de defender teses que não eram as melhores. Faz parte da vida e Ricardo Brandão deve ter sentido esse gosto amargo na tarde desta terça-feira.
O processo da Aneel contra a Enel SP para perda da concessão começou em abril. Agora que a agência aparentemente está no final, tudo indica que a concessão vai pras cucuias, pois o próprio ministro de Minas e Energia já disse que vai acatar a decisão da Aneel em relação ao assunto. Política é uma coisa que sobe e desce, que vai e vem. Então, é bom conferir o que Alexandre Silveira vai fazer em relação à polêmica empresa italiana.
Essas distribuidoras de energia elétrica são empresas meio complicadas. Vendem para a opinião pública um mundo cor-de-rosa, mas quando se examina com lupa os números da Aneel observa-se que muitas deixam a desejar.
E existem aquelas distribuidoras que têm relações difíceis com seus consumidores. Este idoso editor recebeu uma notificação de um cartório de protestos e surpreso ficou sabendo que a uma suposta dívida com a concessionária Neoenergia DF havia sido enviada para protestos, apenas 15 dias depois do vencimento. O editor não quis se estressar com essa cobrança, até porque o valor era relativamente pequeno. O débito de fato existia, mas a conta nunca foi apresentada. Pode? Para a Neoenergia pode tudo.
Ao longo de toda a vida de 75 anos de idade, este editor nunca havia recebido uma notificação de um cartório de protestos e quase infartou de novo. Resolveu pagar, mesmo não tendo recebido a conta da tal Neoenergia, que é uma esculhambação só. Eita empresinha difícil essa, sô.
A Aneel diz que existe para proteger os consumidores de energia elétrica. Cascata. A Aneel existe para proteger as distribuidoras. Caso contrário, já teria falado grosso contra essa Neoenergia DF. Aliás, vale lembrar que a agência só resolveu engrossar com a Enel SP depois de levar alguns puxões de orelha de políticos importantes, inclusive o ministro de Minas e Energia. A agência estava sentada em cima das questões da Enel SP, sem tomar qualquer atitude e vendo o tempo passar. Só depois de levar muito pau, inclusive da mídia, a Aneel resolveu se mexer.
A pergunta que este editor faz é a seguinte: e a Neoenergia DF? Quando a Aneel vai tomar uma atitude?