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Silveira e Pacheco não podiam adivinhar o futuro

É lógico que ninguém pode adivinhar o dia de amanhã. Mas também é verdade que, na política, só amadores tomam decisões precipitadas.

Embora não sejam amadores e juntos possam somar alguns anos de atividade política, o fato é que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado Federal, devem estar com vontade de roer um cabo de guarda-chuva e ficar escondidos num canto, amargando a vida política.

Embora estivessem cacifados para a empreitada, ambos não quiseram disputar a eleição para governador de Minas Gerais. Temiam sobretudo as pesquisas que mostravam a força do senador Cleitinho com espetaculares mais de 40% das intenções de votos, em plenas condições de ganhar a eleição já no primeiro turno. Não queriam sair para perder, frente a um candidato tido como imbatível. O cenário realmente era cruel para Silveira e Pacheco.

Silveira, discretamente, preferiu não se desincompatibilizar do cargo de ministro de Minas e Energia. Poderia ser candidato a deputado federal, senador ou até mesmo governador. Preferiu ir até o fim do governo Lula. Rodrigo Pacheco foi mais radical e simplesmente desistiu da carreira política, embora a candidatura a governador tenha sido oferecida a ele várias vezes num belo embrulho de presente.

Agora, por uma questão familiar (perdeu um irmão, por doença, há poucas semanas e isso deixou a família muiito abalada), o senador Cleitinho, que era o candidato virtualmente ganhador da eleição, desistiu da candidatura. E os partidos se movimentam, em Minas, para tentar articular de forma improvisada nomes que, até poucos dias, quando ainda se considerava Cleitinho como candidato, não possuíam qualquer chance de vitória.

José de Magalhães Pinto, o esperto banqueiro, senador, ministro, governador de Minas, que entendia tudo de política, disse certa vez que a política é como as nuvens: você olha, elas estão de um jeito. Aí, você pisca, olha de novo, e as nuvens já estão de outro jeito.

Pois é isso: as nuvens da política mineira se mexeram rapidamente e Alexandre Silveira e Rodrigo Pacheco deixaram escapar a chance de sair para uma eleição, em Minas Gerais, na qual praticamente não teriam páreo. Não foram pacientes. Esqueceram que na política existe o fenômeno aleatório, que pode mudar tudo. Dançaram feio no receio de perder a eleição para o senador Cleitinho.

Cleitinho ainda é jovem e tem mais quatro anos de mandato de senador pela frente. Tempo suficiente para aparar as questões familiares e pessoais, amadurecer como homem público e lançar o seu nome novamente na eleição de 2030.

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