O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, que o ONS está aplicando pela primeira vez neste domingo, 07 de junho, parece ser uma solução técnica adequada para evitar o desligamento em cascata do Sistema Elétrico Brasileiro. O Operador tem consciência que dói fazer isto, mas a sua principal responsabilidade é manter a estabilidade do sistema e aparentemente ele está cumprindo a sua atribuição corretamente.
Só que tem o outro lado da moeda. Ao mesmo tempo que é uma decisão técnica adequada, o plano é uma confissão pública que o planejamento do setor elétrico brasileiro não vale nada. O planejamento do SEB é lixo puro, da melhor qualidade. Porque, se valesse alguma coisa, o tal plano não seria necessário e nem existiria o tal curtailment.
Esses paliativos servem apenas para não deixar o País na escuridão, num ano de eleições. Vamos lembrar que, no Governo, hoje, está um partido que chegou ao Poder, na eleição de 2002, em grande parte graças ao apagão generalizado que a incompetência do então partido no Governo, o PSDB, deixou acontecer em 2001.
Este idoso editor já escreveu sobre isto algumas vezes e vale a pena repetir. Os responsáveis pelo planejamento do SEB são uns incompetentes. MME na cabeça, obviamente, mas, também, a EPE, é lógico. O próprio ONS e a Aneel também têm a sua cota de irresponsabilidade. Ao que tudo indica, a CCEE não tem muita coisa a ver com essa lambança.
Pois foi uma enorme lambança deixar a geração de energia renovável crescer do jeito que aconteceu, à custa de muito subsídio e de forma descontrolada. Agora, para o País não ficar sem luz, no ano das eleições (não custa nada lembrar), o ONS vem e arrocha todo mundo com o tal Plano. Coitado do investidor que pegou dinheiro emprestado na rede bancária, montou parques de energia eólica e solar e agora fica chupando os dedos, com sol e vento, mas sem faturar. E uns papagaios para pagar aos bancos.
O mais incrível é o desperdício. O Brasil é um país de economia mais ou menos. Não é pobre e nem rico. Tem ilhas de enorme riqueza e ilhas de uma pobreza abissal. Mas na média é um bom país e, na área de energia, é muito rico. E, no entanto, por falta de planejamento, joga fora uma riqueza extraordinária na forma de energia, pois o ONS não pode permitir que toda essa energia fique por aí, dando sopa, pois o excesso de geração pode dar um nó no sistema.
´E tragicômico. Este site não vai fazer o desagrado de apontar nominalmente os responsáveis, pois está um belo domingo de sol e céu azul em Brasília e não quer estragar a vida de ninguém. Mas no SEB todo mundo sabe quem são os responsáveis. Eles estão por aí, no MME, na EPE, na Aneel e no ONS. Ninguém foi capaz de compreender que o excesso de energia renovável no sistema ia contribuir para derrubar o próprio sistema. Aí, o ONS tem que aplicar esse plano maroto, pois não há alternativa técnica.
E os sabichões que planejaram o SEB e não souberam entender o que ia acontecer? Com esses não acontece nada. Estão por aí, com seus diplomas dourados, viajando ao exterior por conta dos contribuintes e enganando todo mundo com um discurso que soa mais falso que uma nota de três dólares feita numa gráfica off-set em Letícia na Colômbia. Infelizmente, tem gente (e muito jornalista, inclusive) que acredita nesses farsantes.
Este idoso editor, que já dobrou o Cabo da Boa Esperança e navega velozmente em direção aos 80 anos, não acredita um milímetro nessa moçada cheia de títulos e de nhém-nhém-nhém. Eles gostam muito é de atravessar o Atlântico para lá e para cá, de preferência numa classe executiva. Tinham a obrigação profissional, sim, de entender o que ia acontecer no SEB, quando contribuíram para a expansão descontrolada da geração renovável. Agora, todo mundo paga a conta pela incompetência e a ambição política dos sabichões. Só resta rezar para que o plano emergencial aplicado pelo ONS dê certo.