A mediana das projeções do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 aumentou pela sexta semana consecutiva, agora de 4,71% para 4,80%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços de petróleo
Considerando apenas as 112 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 4,73% para 4,85%.
A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 aumentou pela quarta semana consecutiva, de 3,91% para 3,99%. Há um mês, era de 3,80%. Considerando apenas as 108 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 3,89% para 4,0%.
O Banco Central prevê inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2027, o horizonte relevante da política monetária. A projeção para o IPCA do ano que vem é de 3,3%.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
No Focus desta segunda-feira, a mediana para o IPCA de 2028 permaneceu em 3,60%. Um mês antes, era de 3,52%. A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 33ª semana consecutiva.
Projeção da Selic
A mediana das previsões do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para a taxa Selic no fim de 2026 aumentou de 12,50% para 13,0%, após três semanas de estabilidade. O mercado calibra as expectativas para a trajetória da política monetária, em meio à pressão inflacionária esperada com a disparada dos preços de petróleo em decorrência da guerra no Oriente Médio.
Considerando só as 95 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,75% para 13,0%.
A projeção para o fim de 2027 aumentou de 10,50% para 11,0%, depois de 61 semanas de estabilidade. Levando em conta apenas as 90 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 10,53% para 11,0%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano, no dia 18 de março. Foi a primeira redução da taxa de juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), no último dia 26. Ele disse que o “conservadorismo” da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos.
“Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, afirmou Galípolo, reforçando que haverá uma condução cautelosa da política monetária. O Copom se reúne novamente na próxima semana.
No Focus desta segunda-feira, a mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 13ª leitura seguida. A estimativa para 2029 aumentou de 9,75% para 9,88%. Há um mês, era de 9,50%.
Projeção do câmbio
A mediana das expectativas do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu pela segunda semana seguida, de R$ 5,37 para R$ 5,30, em meio à valorização da moeda brasileira frente à divisa norte-americana. Na sexta-feira, 17, o dólar fechou cotado a R$ 4,9833. Um mês antes, a mediana para o dólar no fim de 2026 era de R$ 5,40.
Considerando apenas as 84 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária passou de R$ 5,35 para R$ 5,25.
A mediana para o dólar no fim de 2027 caiu pela segunda semana consecutiva, de R$ 5,40 para R$ 5,35. Um mês antes, era de R$ 5,45. A estimativa intermediária para o fim de 2028 passou de R$ 5,46 para R$ 5,40, enquanto a projeção para o fim de 2029 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
Projeção do PIB
A mediana das estimativas do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 oscilou de 1,85% para 1,86%. Um mês antes, era de 1,84%. Considerando apenas as 68 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa aumentou de 1,85% para 1,89%
O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.
A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 permaneceu em 1,80% pela 16ª semana consecutiva. Levando em conta apenas as 66 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária passou de 1,80% para 1,74%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%, pela 110ª e 57ª semana seguida, respectivamente.
