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É o olhar do dono que engorda a boiada. O MME precisa ter a EPE mais perto dele

Um renomado especialista do setor elétrico brasileiro, entrou em contato com o “Paranoá Energia” para expressar a sua opinião a respeito das viagens feitas por diretores e empregados da EPE.

Na opinião dele, a quantidade de viagens não é o que mais importa. O que deve ser levado em consideração é o retorno disso para o setor elétrico brasileiro.

O leitor e o editor deste site convergem para uma mesma opinião: o retorno é pífio, pois a EPE, como planejador, não tem cumprido bem o seu papel.

Um exemplo é o curtailment, que é a maior evidência de planejamento mal feito do setor elétrico no Brasil. Tanto que, se o SEB tivesse sido bem planejado, não haveria a necessidade das restrições operativas impostas pelo ONS.

A questão é relevante. O Governo (e a EPE nesse meio) sempre olhou apenas para a expansão da capacidade, sem a mínima preocupação com o escoamento dessa nova energia que seria produzida. Deu no desastre que deu. Hoje, sofrem todas as categorias de geradores, por esse incrível desencontro entre a energia gerada e a transmissão, por falta de linhas. É verdade que foi uma falha coletiva (MME, Aneel, ONS e EPE), mas o papel da EPE nessa confusão é bastante destacado. Alguém deveria ser processado, na visão deste site, por falta de responsabilidade.

A empresa de consultoria Volt Robotics calcula que os prejuízos totais provocados pelo curtailment, no setor elétrico brasileiro, em 2025, giram em torno de R$ 6 bilhões. De acordo com os últimos balanços, publicados há poucos dias, a CPFL ficou com um mico de R$ 558 milhões e a Auren com algo bem próximo, de R$ 557,9 milhões.

Quem acredita que esses números são desimportantes, é bom dar uma palavrinha com os acionistas dessas duas grandes empresas. Certamente, eles estão muito putos com tudo isso.

Para o site, está mais ou menos na cara que os técnicos da EPE, em suas maravilhosas andanças pelo mundo, não estão aproveitando bem as oportunidades que generosamente se abrem para eles para se aprender alguma coisa com o que se faz em outros países.

O “Paranoá Energia” avança um pouco mais na discussão sobre a EPE, recolocando uma visão que já foi divulgada aqui mesmo. Os órgãos institucionais vinculados ao MME precisam ser repensados. Nesse bolo, a Aneel e a EPE precisam ser repensados mais do que os outros. A Aneel entra em outra discussão.

A EPE, para começar, não tem sentido em funcionar no Rio de Janeiro. Dizem que isso aconteceu por um capricho pessoal do seu criador, o professor Maurício Tolmasquim. O site prefere não acreditar nas histórias contadas sobre a criação da EPE, pois isso depõe contra a inteligência de Tolmasquim. Afinal, pode-se discordar dele em várias questões, mas não se pode ignorar que é um grande especialista quando se trata do SEB. Ele tem o respeito deste site.

Depois da experiência negativa de ter a EPE funcionando no Rio de Janeiro, seria mais razoável tê-la em Brasília, funcionando dentro da estrutura do Ministério de Minas e Energia, onde, aliás, já existe um departamento que lhe faz concorrência. Nesse contexto, é óbvio, a EPE seria outra coisa completamente diferente, inclusive sofrendo uma pesada lipoaspiração, pois a empresa é visivelmente grande e inchada para o que faz hoje.

Seus custos cairiam de forma vertiginosa e as viagens dos seus empregados remanescentes, já trabalhando dentro da estrutura do MME, seriam melhor controladas. Um dos problemas da EPE, estando no Rio, é que ela fica meio solta, como se fosse dona de si mesma.

Este editor é um pobre caipira, lá das roças de Minas Gerais. E como se diz enquanto se come queijo com goiabada, é o olhar do dono que engorda a boiada. O dono (o MME) precisa ter a EPE mais perto dele.

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