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Bye-bye, Enel SP

Agora é a hora em que a onça vai beber água na beira do rio.

Durante meses e meses, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, ficou sentado em cima do processo da Enel de São Paulo, sem dizer a ninguém que decisão ia tomar em relação à caducidade e intervenção na concessionária de distribuição de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo.

Sandoval ouviu as críticas estoicamente durante todo esse longo período, inclusive deste site. Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, finalmente, a Aneel divulgou a posição do seu diretor-geral (veja a manchete do site), que não só apoia a caducidade da concessão, como, também, quer que as áreas técnicas desenvolvam um plano factível de intervenção federal na concessionária.

Trata-se de uma decisão histórica, pois, afinal, não se trata de uma distribuidora qualquer. É simplesmente a maior distribuidora de energia elétrica do País, com 8,5 milhões de unidades consumidoras, o que representa algo em torno de 25 milhões de pessoas ou proprietários de pequenos negócios.

Agora é a hora em que a onça vai beber água, pois o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que durante todo o tempo jogou um jogo estranho (numa hora, morria de amores pela concessionária, em outro momento dava uma dura na diretoria da Aneel e pedia a caducidade) precisará anunciar se de fato Sandoval Feitosa está nessa briga sozinho ou se o MME vai entrar junto com ele. Chegou a hora de Silveira dizer à sociedade o que quer em relação à Enel SP.

Dificilmente o ministro terá condições de recuar, pois publicamente, nas últimas semanas, ele já anunciou que não quer mais a Enel SP distribuindo energia elétrica na Grande São Paulo. A atuação da Enel em São Paulo virou uma inegável questão política, pois dá e tira votos. Silveira também já cobrou os dirigentes da Aneel em relação ao posicionamento hoje anunciado. O ritual é o seguinte: a Aneel anuncia que quer o fim da caducidade e a intervenção, o MME oficializa e a questão provavelmente vai terminar na Justiça, pois os italianos já anunciaram que desejam manter a concessão.

Aliás, o jogo da empresa italiana tem sido horroroso. Operacionalmente, o seu trabalho em São Paulo é nota 2,5 e olhe lá. Os consumidores já não aguentam nem ouvir falar na tal de Enel, tamanho o volume de humilhações que vem passando, há meses, com os sucessivos apagões. Constrangimentos de tudo quanto é ordem.

O que os consumidores da Grande São Paulo agora desejam é simplesmente trocar a concessionária e colocar no lugar da Enel uma empresa que seja mais responsável e que simplesmente cumpra o seu papel contratual. Só isso.

É possível que essa briga envolvendo a Enel x consumidores x Aneel x MME x Prefeitura de São Paulo x Governo do Estado de São Paulo ainda fique rolando por um bom tempo. Com certeza, ficará um aprendizado para todos os agentes envolvidos.

Uma das lições consiste no fato que a Aneel não pode deixar essas concessionárias correrem soltas. Tem que peitar essa turma todos os dias. Não basta chegar e multar. Tem que falar grosso com essas distribuidoras, pois elas somente entendem a linguagem da truculência.  Elas acham que têm a concessão e que pronto, acabou.

Não é assim, não. A Aneel tem que falar alto com as distribuidoras, pois elas compreendem apenas se você falar com elas como um sargento. Se chegar macio, elas deitam e rolam. Fazem o querem. Como a Enel.  Felizmente, parece que agora vamos entrar na contagem regressiva para dar adeus aos italianos da Enel.

Como se diz no interior de Minas, herança portuguesa que vem mais de longe, lá dos tempos da Bíblia, não há bem que sempre dure, mas não há mal que não se acabe.

Bye-bye, Enel SP.