Política Energética, Regulação, Setor Elétrico, Gás Natural, Energias Alternativas, Empresas e Negócios

Inauguração do gasoduto de Vaca Muerta

Maurício Corrêa, de Brasília —

Neste domingo, 09 de julho, dia da Independência da Argentina, o presidente Alberto Fernández vai inaugurar o Gasoduto Néstor Kirchner, que conectará o maior mercado consumidor argentino, a província de Buenos Aires, à principal área de produção de petróleo e gás do país, a província de Neuquén, onde se encontra a reserva de combustíveis fósseis de Vaca Muerta.

Na visão do governo argentino, a exploração dos campos de Vaca Muerta representa uma oportunidade única para colocar o País na ordem fiscal a partir do aproveitamento de um recurso energético estratégico, cujo plano de negócios envolveu recursos privados e incentivos do setor público.

Vaca Muerta é tão importante no processo de desenvolvimento da Argentina, que acredita-se que, por volta de 2026, a exportação de hidrocarbonetos extraídos nessa região isolada do Sul do País terá tanta relevância quanto a exportação de soja. Além disso, integrantes do Governo asseguram que Vaca Muerta vai possibilitar a garantia do autoabastecimento interno de derivados de combustíveis, a preços competitivos, contando-se ainda a utilização do gás natural no processo industrial. Historicamente, a Argentina tem utilizado o gás natural em larga escala na sua matriz energética.

O Brasil acompanha a inauguração do gasoduto com muita atenção, pois assim que tomou posse o presidente Lula foi à Argentina e, desde então, existem negociações para o envolvimento do BNDES no financiamento na obra de extensão do gasoduto da região de Buenos Aires até o Rio Grande do Sul. Dessa forma, além de utilizar o gás natural argentino, empresas brasileiras poderiam eventualmente participar das obras de complementação do gasoduto.

Como tudo o que diz respeito à área de energia, o aproveitamento dos campos de Vaca Muerta não ocorre sem problemas. Ativistas de defesa do meio ambiente e das comunidades indígenas que vivem na região têm feito reiteradas críticas ao projeto Vaca Muerta, considerando que a extração de petróleo e gás ocorre através da tecnologia conhecida como “fracking”, que consiste na injeção de produtos químicos no subsolo, para a retirada dos hidrocarbonetos.

Em português, o “fracking” recebe o nome de fraturamento hidráulico, pois os jatos de alta pressão quebram as rochas no subsolo para que o gás possa sair. Na visão dos ativistas ambientais, essa tecnologia compromete a qualidade dos aquíferos que existem no subsolo, com prejuízo enorme para a saúde das pessoas e dos animais.

A ONG 350.org, que tem estado na frente do combate ao “fracking” na Argentina, distribuiu um comunicado, nesta sexta-feira, 07 de julho, garantindo que o projeto está sendo tocado pelo governo argentino “sem levar em conta as audiências públicas e as legítimas preocupações das comunidades afetadas. O gasoduto reforça a falsa narrativa de progresso econômico que o governo argentino e o setor empresarial pretendem instalar a respeito de Vaca Muerta e agrava os danos socioambientais provocados pelos setores de petróleo e gás no país”.

“O gasoduto é o símbolo do compromisso com um modelo econômico e energético inviável, que reproduz desigualdades e tem altíssimo impacto social, ambiental e climático”, aponta a ativista argentina María Victoria Emanuelli, coordenadora de campanhas da 350.org América Latina. Ela afirma que, ao optar pela expansão dos combustíveis fósseis, a Argentina perde mais uma vez a oportunidade de construir um papel de destaque na transição energética e de atrair investimentos em setores mais promissores, como o das energias renováveis.

“Vaca Muerta é uma das maiores bombas de carbono do mundo. As empresas, bancos e governos envolvidos na atividade de petróleo e gás na Argentina estão afirmando a cada dia, com suas ações, que seus lucros importam mais do que o desenvolvimento sustentável do país e do planeta”, diz Emanuelli.

 

 

Posts Relacionados