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A diretoria da Aneel precisa voltar para o mundo real

Há leitores do “Paranoá Energia” que, às vezes sem compreender certos posicionamentos do site, dizem que este idoso editor gosta de sacanear e aprecia ficar pegando no pé do pessoal da Aneel, nessa história das viagens ao exterior, apenas para fazer uma brincadeirinha. Não é bem assim. O assunto é muito sério. Vejamos.

A Aneel vive dizendo que não tem dinheiro, inclusive para cumprir as suas obrigações, porque o orçamento está sempre contingenciado pela União, etc, etc.

Entretanto, quase que diariamente o “Diário Oficial” publica portarias assinadas pelo diretor-geral, Sandoval Feitosa, autorizando viagens de diretores e servidores para vários países, sempre “com ônus”, ou seja, com as despesas totalmente cobertas pela agência reguladora. Esse povo da Aneel é privilegiado, pois vive viajando pelo exterior às custas de dinheiro público. Para quem viaja, é bom demais. Nada como um excelente hotel, talvez uma viagem aérea de classe executiva, boas comidas, translados, eventual apoio diplomático, etc. Sem gastar um tostão. Tudo pago pela Aneel.

Agora, por exemplo, o DOU publicou as portarias autorizando as viagens da diretora Agnes Aragão da Costa à Coréia do Sul e da chefe de gabinete Elvira Justino de Farias à Colômbia, por conta dos contribuintes brasileiros. Como as demais, viagens plenamente dispensáveis.

Pois bem: coincidindo com o DOU, a Aneel divulgou uma correspondência oficial, endereçada a Arthur da Silva Santa Rosa, gerente executivo de Procedimentos e Desenvolvimento da Operação do ONS e assinada pelo superintendente de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica, Giácomo Francisco Bassi Almeida, que é um documento importante para comprovar como a Aneel trabalha como se estivesse no mundo da lua.

No ofício, que trata dos testes de autorrestabelecimento para Copa do Mundo Feminina, programada para 2027, o superintendente da Aneel diz que a agência está de acordo com a utilização dos testes (que mostram o trabalho prévio do governo brasileiro para receber a Copa).

“A realização de testes com antecedência é um ponto positivo. Tal situação permite tempo hábil para que sejam tomadas as devidas providências caso algum teste não seja bem-sucedido”, argumentou corretamente o superintendente da Aneel.

Logo depois, surpreendentemente, a agência tira o corpo fora e sugere que “o próprio ONS acompanhe presencialmente os testes nas 13 usinas identificadas como corredores de recomposição das cidades-sede”. Segundo o próprio superintendente admite, “o acompanhamento presencial pela Aneel encontra-se prejudicado por restrições orçamentárias e de recursos humanos”.

Ou seja, recursos para viagens caça-níqueis ao exterior, para participar de eventos que não vão acrescentar absolutamente nada ao conhecimento técnico do pessoal da Aneel, para isso não falta dinheiro. A Aneel tem grana sobrando.

Todos os dias praticamente tem alguém da Aneel dando uma voltinha em algum país, como este site não se cansa de divulgar. Mas para participar junto com o ONS da organização prévia da Copa do Mundo Feminina de 2027, a Aneel diz que está prejudicada e sugere que o ONS assuma a responsabilidade sozinho na hora dos testes.

Este site entende que o seu posicionamento a respeito das viagens internacionais dos diretores e servidores da Aneel está definitivamente esclarecido. E espera que os leitores tirem as suas próprias conclusões a respeito da forma como a agência é conduzida pelos seus diretores.

Ei, Sandoval, ei diretores da Aneel. Vocês precisam acordar. Será que vocês não percebem que têm algo errado na gestão da agência? Todo mundo sabe que conhecimento sobre energia elétrica vocês têm de sobra, mas já está passando da hora de vocês amadurecerem como gestores públicos.

A diretoria da Aneel precisa voltar imediatamente para o mundo real.

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