O idoso editor deste site tem um amigo, também idoso, que é diabético do tipo 2. Não pode comer frutas ou quase nenhuma fruta, por causa dos efeitos da frutose sobre a glicose. Apesar de saber disso, o amigo, que é meio irresponsável, tem aproveitado a Copa do Mundo para ficar comendo mexericas. Compra um saco de mexericas do tipo cravo e fica curtindo os jogos na frente da televisão. Hoje, o seu índice glicêmico estava em 150, o que não é aconselhável.
Tem gente que toma uma garrafa de cachaça e não acontece nada. Para o amigo do editor, um inocente saco de mexericas é quase um veneno. Pode-se dizer que o setor elétrico brasileiro vive uma situação semelhante, substituindo a frutose pelo volume de energia renovável que se joga no sistema.
Este site já escreveu isto, mas não custa nada repetir. Os cortes de geração que o ONS é obrigado a fazer, para evitar o colapso do sistema, é a maior confissão de incompetência que existe no SEB.
Quem diz que o Brasil tem planejamento energético adequado não sabe o que diz: o nosso planejamento é absurdamente uma piada. Parece uma peça de teatro do absurdo, daquelas à altura de Samuel Beckett, Ionesco ou Harold Pinter.
O que se pode testemunhar hoje no setor elétrico brasileiro é produto de uma triste irresponsabilidade. Empreeendedores, bancos, organizações públicas investiram bilhões de reais para construir um parque de geração renovável no Brasil. Hoje, no País, temos um parque gerador eólico e solar que faz inveja a outros países.
No entanto, grande parte da energia elétrica que poderia ser injetada na rede pelos geradores renováveis é simplesmente desperdiçada. Energia limpa total que some no ralo. O ONS é obrigado a cortar essa geração, pois, se injetada na rede, pode derrubar o sistema e deixar o País às escuras.
Em qualquer momento, isso seria uma péssima notícia. Num ano eleitoral, em que as pesquisas indicam votações extremamente ajustadas para os principais candidatos, um apagão representa uma heresia para quem está no Poder. É munição certa para os adversários.
O professor Edvaldo Santana, que, desde os tempos de menino, em Sergipe, gosta de fazer contas e aprecia a Matemática, não tem dúvidas quanto ao tamanho desse desperdício. Em suas colunas no Linkedin ou em artigos em jornais de primeira linha, Santana tem sido um crítico do modelo atual que se pratica no setor elétrico brasileiro.
Na sua avaliação, curtailment, que é a denominação em inglês para esses cortes de geração renovável, não passa de um palavrão para esconder a incompetência que grassa no planejamento energético do nosso País.
A matéria disponibilizada por este site, na seção Notícias, produzida originalmente pela Agência Estado e veiculada pelo Paranoá Energia sob contrato de utilização do conteúdo, é uma prova que Edvaldo Santana, este idoso editor e todos aqueles que criticam a falência do planejamento tupiniquim estão certos.
São muitos os responsáveis pela verdadeira titica de galinha que é o planejamento energético brasileiro. O site não vai citar nomes, pois é desnecessário. Todos que militam no SEB conhecem essas pessoas. São, aliás, servidores de sorte pois vivem num País chamado Brasil, onde ninguém é responsabilizado por nada. Se eles fossem servidores da Coréia do Norte, onde um implacável ditador gordinho não perdoa, eles certamente estariam em dificuldade.
A matéria da Agência Estado diz que “a significativa redução do consumo de energia elétrica durante o jogo do Brasil contra o Japão, na tarde desta segunda-feira, 29, combinada com a elevada geração solar distribuída no horário da partida, iniciada às 14h, levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a restringir cerca de 20 gigawatts de geração de energia renovável. Esse montante corresponde à capacidade instalada combinada das usinas de Belo Monte e de Tucuruí”.
Informa ainda que “o objetivo da redução é prevenir riscos à estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e evitar a perda de controlabilidade do sistema, preservando a segurança e a continuidade do fornecimento de energia à sociedade”, disse o Operador, em nota.
A matéria diz tudo. Está disponível na seção Notícias. Escrever este tipo de coisa dá uma certa raiva, pois o Brasil não é um País rico. É um país de economia média, com ilhas de riqueza e miséria. Não se pode dar ao luxo de desperdiçar essa energia, onde muito dinheiro público e privado foi investido. Só os burocratas incompetentes do MME e da EPE não sabem disso.