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Revisão tarifária da Copel é mais uma injustiça que a Aneel pratica (legalmente) contra os consumidores

A inflação nos últimos 12 meses, no Brasil, medida pelo IBGE, foi de 4,72%. Os consumidores de energia elétrica do estado do Paraná, entretanto, foram presenteados, pela Aneel, com um reajuste médio de 20,51%. Os cálculos da agência reguladora estão errados? Provavelmente, não. A Aneel é bastante criteriosa ao calcular o reajuste tarifário que contratualmente é devido a cada concessionária de distribuição e o percentual atribuído à Copel com certeza espelha todas as exigências previstas no contrato de concessão.

Se o reajuste está correto, a agência está moralmente equivocada. Como pode um consumidor ver uma inflação anual bater em apenas 4,72% e a conta de luz subir como um foguete desta forma? Por uma razão muito simples: a Aneel, quando redigiu os contratos de concessão, só olhou para o bem-estar das empresas de distribuição. Jamais olhou para os consumidores. Diariamente, a Aneel brinca com a paciência dos consumidores de energia elétrica deste País. Diz que os protege, quando, na verdade, olha apenas para a saúde financeira das empresas que atuam na área. A Aneel exerce, como poucos no Poder, a arte da demagogia.

Este site já escreveu sobre isto outras vezes e, de certa forma, é como se estivesse chovendo no molhado. Não há uma autoridade neste nosso maravilhoso e injusto País que seja capaz de reconhecer esta notável injustiça que se pratica contra os consumidores de energia elétrica. Neste caso do Paraná, a revisão tarifária está quatro vezes mais alta do que a inflação do período. Como se diria nos tempos do saudoso “Pasquim”, putz. E a Aneel ainda tem a cara de pau de dizer que protege consumidores? Conta outra, Aneel. Desta aí todos nós já estamos muito cansados de ouvir.

O pior de tudo é que o Governo só acena com medidas paliativas. Nesta mesma edição do site “Paranoá Energia”, logo abaixo da notícia da Copel, há uma outra, que diz que a Aneel está discutindo com as associações do setor elétrico eventuais mudanças no chamado “Fator X”, um ganho de produtividade das concessionárias de distribuição, que a agência quer dividir com os consumidores, para suavizar os reajustes tarifários.

É uma iniciativa teoricamente interessante, mas que não deve ser levada muito a sério. Pode ser incluída na lista das demagogias praticadas pela Aneel em nome dos consumidores. Isso porque ela vai discutir o “Fator X” exatamente com as associações que representam os consumidores de energia elétrica das áreas de concessão. Ora, o Planeta Terra inteiro sabe que essas associações são controladas pelas distribuidoras. Então, não se deve esperar que desse mato saia algum coelho.

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