É no mínimo curioso ver, hoje, o chororô de muitas comercializadoras e da própria Abraceel com as situações geradas pela volatilidade maluca do mercado, que tem provocado a quebra de muitos agentes, inclusive de nomes tradicionais do mercado.
As comercializadoras e a sua associação sempre foram parceiras do modelo matemático de formação de preços. Esse modelo tem sido um queridinho dos agentes de comercialização e a Abraceel nunca escondeu a sua preferência pelo atual modelo.
Agora, por uma dessas grandes ironias da história do setor elétrico brasileiro, o modelo matemático, cantado em prosas e versos, detonou todo mundo e vai detonar mais ainda. Nas contas de um especialista respeitado do SEB, que prefere ficar em off, até o final deste ano cerca de 15 comercializadoras devem ir para o sal.
Está formada uma bela confusão, que não surgiu agora. Vem se desenhando há algum tempo. O grande problema, na visão deste site, é que o setor elétrico brasileiro precisa parar para pensar e mudar uma série de coisas. O idoso editor deste site pensa como o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa: o modelo atual já deu o que tinha que dar e está passando da hora de reformar o SEB.
Só que, se olharmos com um pouco mais de paciência para o SEB, vê-se que será muito difícil executar essa reforma, pois faltam lideranças, tanto na área institucional do Governo quanto nas empresas. É possível fazer uma reforma profunda? Sim, é possível, mas o difícil será encontrar lideranças empresariais e governamentais que possam tocar um projeto de tamanha envergadura. Tem muito farsante na praça, que não têm estrutura mental e nem conhecimento para fazer o que precisa ser feito.
Isso é um problemão. Como o SEB vai sair desse buraco, é difícil dizer. Quanto mais o Brasil ficar remendando o arcabouço legal do setor elétrico com medidas paliativas, que apenas tangenciam questões pontuais, sem chegar na raiz dos problemas, mais dificuldades haverá pela frente, pois a crise estará sendo apenas postergada.
É lamentável escrever isto, mas as perspectivas não são boas. Quem falar que a situação está boa e que este editor tem uma visão muito pessimista do mundo real e está exagerando, estará apenas enganando a si próprio e aos outros. O caso das comercializadoras, hoje, que arrepia todo mundo no SEB, é apenas um sinal.
O pior ainda está para acontecer.