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A falência da Aneel e do MME

O editor do site “Paranoá Energia” por acaso está indignado com o apagão de vários dias na região metropolitana de São Paulo? Se alguém falar, pensar ou escrever isto, os leitores podem ter certeza que sim. De fato, o editor do site está super-hiper indignado com algumas pessoas e organizações. O que acontece em São Paulo não passa de uma vergonha para o Brasil e os brasileiros. Todos devem ficar indignados.

Mas a indignação do idoso editor nem é tão grande assim com a empresa Enel. Ele entende que a Enel, em São Paulo, é carta fora do baralho. Já deu o que tinha que dar e não vale a pena chutar em cachorro morto. Faltando apenas 10 meses para as eleições, as autoridades em Brasília não vão ficar carregando nas costas o peso da Enel. Não são tão loucos assim. Na primeira brecha, vão se descartar da Enel em São Paulo e dar uma de salvadores da Pátria, pois é assim que a política funciona. Ninguém quer perder uma eleição por causa da Enel.

O editor canaliza para essas autoridades, basicamente os dirigentes da Aneel e o ministro de Minas e Energia, o Alexandre Silveira, o foco principal da sua indignação.

Todos eles provavelmente são bons cidadãos, pagam seus impostos em dia, com certeza são ótimos chefes de família, são honestos na função que ocupam. É quase certo, porém, que nunca estudaram uma disciplina que pode ter o nome de “Liderança e Chefia” ou algo parecido. Os diretores e o ministro não sabem tomar decisão; têm medo de tomar decisão; se borram na hora de uma decisão. Não estão à altura dos cargos que exercem como autoridades do setor elétrico. Todos eles deveriam pegar seus bonés e sair de fininho.

Pois é exatamente uma decisão que a situação da Enel em São Paulo está implorando. A Grande São Paulo está sangrando. Na manhã deste sábado, às 7 da manhã, ainda havia 1,5 milhão de pessoas no escuro, depois de toda uma semana de intenso sofrimento e frustração. Não dá nem para sintetizar aqui todo o sofrimento individual provocado pela falta de energia elétrica.

Há dois dias, este editor recebeu uma mensagem aflita de um morador, dizendo que no seu prédio, onde vivem cerca de 3 mil pessoas em muitos andares, as pessoas estavam sem saber o que fazer. Gente doente que depende da luz, comida estragada, velhos que não podem subir e descer escadas. O que se faz com essas pessoas é uma barbaridade. Uma sacanagem total. O editor não sabe dizer se esse prédio já teve a luz religada. E os burocratas em Brasília permanecem impassíveis. Zero sensibilidade social. Só pensam nos seus carguinhos e nos 30, 40 ou 50 mil reais que ganham por mês.

Ainda assim, como os burocratas da Aneel e do MME, do alto de suas insignificâncias, são uns bananas, eles se limitaram a divulgar notas à imprensa que são um primor de idiotices e dão ideia sobre a mediocridade dessas pessoas.

Na sexta-feira, a Agência Estado distribuiu uma matéria contendo a argumentação oficial do MME, que dizia:

“O MME e as Agências federal e estadual seguem acompanhando e fiscalizando o fornecimento de energia e as ações de restabelecimento. Em nota, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, criticou a postura do governador de São Paulo e do prefeito Ricardo Nunes em relação ao apagão. “Enquanto o governador de São Paulo e o prefeito da capital do Estado preferem transformar um episódio climático extremo em disputa política, o Governo do Brasil mantém o foco naquilo que realmente importa: restabelecer a energia elétrica para a população com rapidez e segurança”, disse Silveira”.

A íntegra da nota da Aneel, igualmente fugindo da questão principal, dizia:

“Nesta sexta-feira (12), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) realizaram vistoria in loco no Centro de Operações da Enel SP e na Base de Guarapiranga, de onde saem veículos para reparos aos danos causados pelo ciclone extratropical. Foi constatado que a base está operando conforme o esperado.Outra ação importante foi reunião da Aneel e do Ministério de Minas e Energia (MME) com distribuidoras do Sul e do Sudeste para reavaliar o compartilhamento de equipes e materiais em apoio às regiões mais afetadas. Como resultado, foi determinada a disponibilização de 36 equipes das distribuidoras Light, Elektro, CPFL e Cemig, além de um reforço operacional com 40 equipes da Enel Ceará e Enel Rio. São 76 equipes pesadas que tratam de reconstrução de redes e substituição de postes”.

As pessoas simplesmente querem reativar a energia em suas casas ou pequenos negócios. E tanto a  Aneel quanto o MME não abordam o principal: o que fazem ou fizeram para pressionar a Enel? Aparentemente, apenas rezam para a crise atual acabar logo. Hoje, o mundo é digital, mas se essas notas chegassem numa redação de jornal há 30 anos atrás iriam direto para a cesta do lixo.

Este episódio de São Paulo mostra apenas a falência total não apenas da Aneel quanto do MME. Ambos perderam a condição básica para tocar o setor elétrico brasileiro institucionalmente. Chamados a tomar uma decisão, optaram por se esconder sob a mesa. Estão perdidos, tremendo de medo.

O site “Paranoá Energia”, que não tem medo de tomar decisões, entende que, diante da falência da Aneel a melhor coisa a se fazer é o Governo Federal destituir os seus diretores e iniciar um processo de intervenção na agência reguladora do setor elétrico, se é que isso é possível. Como seus dirigentes estão mais preocupados apenas com as viagens internacionais que o pessoal da Aneel regularmente faz ao exterior, é melhor escolher outras pessoas, que tenham uma visão diferente e, sobretudo, não fiquem cheias de nhen-nhen-nhen na hora de tomar decisão, por mais difícil que ela seja.

Intervir numa distribuidora, mesmo que seja a queridinha do ministro de Minas e Energia, não é o fim do mundo. Se tiver que intervir, o problema é de Sua Excelência. Não é da Aneel. Entenderam Sandoval, Agnes, Gentil e Willamy? O diretor Mosna é um evidente caso à parte na estrutura de comando da agência. Bate de frente com seus colegas quase que semanalmente.

Quanto ao ministro de Minas e Energia, qualquer criança de 7 anos de idade, que viva em Brasília, sabe que ele está no cargo apenas porque faz parte da patota do presidente, pois não tem o mínimo de qualificação técnica que a função requer. É um cara que conta piadas para o presidente e como Lula é um homem sempre bem-humorado este provavelmente acha alguma graça no simpático piadista.

Os moradores de São Paulo é que não devem achar graça nessas piadas de Alexandre Silveira.

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