Em meados de 1970, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, era apenas um bebê, um recém-nascido. Eram os tempos do ufanismo, da glorificação do Brasil Grande, do Brasil Ame-o ou Deixe-o, do Prá frente, Brasil e outros slogans criados pela ditadura militar.
Não é necessário ser um gênio. Qualquer leitor medianamente inteligente que acesse o site do MME vai perceber que ele lembra o Brasil de 1970. Todo mundo sabe que Silveira vive de marketing e que, agindo assim, ele talvez pretenderia azeitar uma eventual campanha majoritária no seu estado de origem, Minas Gerais. Pode ser. O futuro é que vai tirar essa dúvida. Em poucos dias, estaremos em 2026. Em poucas semanas, o ministro, se for candidato, precisará se desincompatibilizar e deixará o cargo.
O site “Paranoá Energia” critica os presidentes da República que não conseguem compreender o papel do MME e o entregam tipo porteira fechada a integrantes da classe política, como Silveira. É uma lástima, mas Lula não é o primeiro a fazê-lo.
O MME não é uma virgem indefesa que deva ser protegido de políticos espertos demais. Na essência, o que está em jogo é que o MME é importante demais para o País, estratégico demais, tecnicamente complexo demais para ser simplesmente colocado nas mãos de políticos medíocres, que apenas o usam com o objetivo de dele extrair dividendos políticos.
O site do MME, hoje, é uma mistura de populismo, demagogia e ufanismo. Neste 04 de dezembro de 2025, o site do MME tem nos seus destaques:
- CMSE destaca excelente desempenho do setor elétrico em 2025 e apresenta previsão para 2026;
- Brasil lidera transição energética e inaugura novo ciclo de inclusão social, sob liderança do MME em 2025;
- Brasil pode atingir produção recorde de petróleo e gás natural competitivo e com menores emissões até 2035, aponta estudo do MME e da EPE;
- Silveira destaca expansão do refino e avanços sociais em evento na refinaria Abreu e Lima;
- Ministro Alexandre Silveira participa das primeiras entregas do Gás do Povo, em Belo Horizonte.
Para este editor, aparentemente, no site do MME, não importa muito que as restrições operativas praticadas pelo ONS não tenham sido resolvidas. Existe apenas a promessa que o passado será ressarcido pelo Governo, sabe-se lá quando, enquanto há enorme incerteza quanto às restrições no futuro.
Também não importa muito que os agentes econômicos do setor elétrico estejam cheios de dúvidas em relação aos impactos da reforma tributária, que entra em vigor em janeiro próximo e ninguém sabe direito, ainda, se vai ganhar ou perder dinheiro nessa história.
Da mesma forma, o site parece não se importar com o fato que os agentes que operam no mercado livre de energia estejam cobertos de incertezas em relação ao futuro, pois tudo por enquanto é muito vago. E o que falar do pessoal que se lançou de corpo e alma nos projetos de hidrogênio verde? E a transição energética, que aparentemente não é mais assunto depois de ter sido convenientemente usada como principal slogan na COP30?
Enfim, há uma enorme falta de sintonia entre o setor elétrico do Brasil real e o setor elétrico do Brasil que existe no site do MME.
Por tudo isto, este editor considera muito deprimente ler, no site do MME, uma nota que diz que o CMSE, formado por subordinados ao ministro, considera que o SEB teve “excelente desempenho” neste ano que chega ao fim.
Lá no interior de Minas, onde o ministro vai buscar os seus votos e provavelmente poderá se eleger para alguma coisa, as pessoas, quando encontram algo assim, apenas dizem “Deus Pai”.