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Curtailment é uma lambança. Um racionamento ao contrário

Se o Brasil fosse efetivamente um país sério e não fosse apenas o país do nhem-nhem-nhem, alguns dirigentes do setor elétrico já deveriam ter recebido algum tipo de punição, a começar pelo olho da rua.

E a lista é grande, passando pelo próprio ministro de Minas e Energia, alguns assessores e responsáveis pela EPE, ONS e Aneel.

A razão é o curtailment, que já deve girar em torno de uns R$ 5 bilhões, prejudicando enormemente as empresas que pegaram o seu dinheirinho e investiram em parques geradores de energia eólica ou solar.

Algumas empresas nem pegaram o seu dinheirinho, mas foram no sistema financeiro, pegaram financiamentos (pelos quais são responsáveis e deram garantias) e agora se encontram com um mico na mão, pois muitos parques eólicos ou solares estão em condições de produzir energia, mas não podem distribuir, ou seja, não faturam.

Alguns amiguinhos do Governo dizem que os responsáveis são as empresas, que teriam forçado projetos para ver o que ia acontecer e depois quebraram a cara. Só puxa-saco do Governo tem esse tipo de opinião, pois é claro que o curtailment só existe devido ao tremendo erro de planejamento do próprio Governo, que foi autorizar a instalação desses parques sem que existisse a disponibilidade de linhas de transmissão para escoar a energia.

Não há palavras para dizer o que isso representa, sem contar o estado de espírito que tomou conta dos dirigentes públicos. Eles ficaram eufóricos com a tal transição energética, peça de marketing elaborada pelos bruxos do Planalto para embelezar a COP de Belém. Nesse contexto, qualquer placa solar nos confins do Judas ou qualquer torre eólica, inclusive dessas que pegam fogo, passaram a ser bem-vindas.

O site “Paranoá Energia” não tem qualquer dúvida que os responsáveis pela enorme lambança chamada curtailment são os tecnocratas do Governo e políticos que mandam na área de energia elétrica.

Ou alguém acha que algum empresário botaria grana em projetos eólicos e solares se não tivesse algum tipo de garantia, mesmo que verbal, que a sua energia seria distribuída? Quem acreditou no Governo, dançou.

Na realidade, o curtailment é não só uma lambança, como também uma espécie de racionamento ao contrário. Nos racionamentos típicos, falta energia elétrica. Hoje, não. Com o curtailment, a energia pode ser produzida, mas ela não pode ser encaminhada à rede, pois faltam linhas de transmissão. Problema que, dizem, será resolvido apenas dentro de dois ou três anos, se for resolvido.

Então, o Brasil, esse País fantástico e milionário do Cone Sul, se dá ao luxo de construir parques eólicos e solares para jogar energia fora. Esses caras que mandam no MME e na área institucional de energia do Governo são uns gênios. Ao contrário, obviamente. São uns perfeitos incompetentes, isso sim. O pior é que continuam mandando e se achando os tais, gostosões que só eles. Coitado do Brasil.

O pior de tudo é que não deve acontecer nada. Afinal, não é o próprio presidente da República que disse que o seu ministro de Minas e Energia, o chefe dessa turma toda, é o melhor ministro de Minas e Energia que já existiu na História do Brasil? Deus Pai. Político costuma exagerar, mas essa do presidente Lula é difícil de engolir.

Tá difícil encontrar uma solução para o curtailment. Enquanto isso o SEB vai acompanhando as extraordinárias e históricas decisões do MME em relação a temas igualmente palpitantes, como transição energética, gás para todos, luz de graça para quase todos e outras iniciativas, de preferência anunciadas ao público e divulgadas fartamente nos meios de comunicação, em Minas Gerais.

Afinal, Sua Excelência, o ministro, não é idiota e, como todo candidato em potencial, precisa mostrar para a sua base que está trabalhando muito. Aliás, do jeito que vai o ministro Silveira, daqui a pouco, no intuito de aparecer, vai inaugurar até porteira em estrada carroçável de fazenda.

Quanto ao curtailment, esqueça. Não tem qualquer importância.

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