Todas as semanas, de segunda a sexta-feira, um grupo de aposentados vai tomar café, depois do almoço, num determinado café em Brasília.
O lugar é informalmente chamado de Dinamarca. Existe até uma brincadeira ingênua, uma espécie de código, entre os participantes. Você vai na Dinamarca hoje? Que horas você vai na Dinamarca?
Depois de um pequeno tempo jogando conversa fora, normalmente sobre futebol e política (temas pelos quais os aposentados são apaixonados, pois não têm muito o que fazer), cada um paga a sua conta de um café e uma água mineral na Dinamarca e todo mundo vai embora. Alguns, cansados, vão tirar um ronco.
Nessa rotina da terceira idade, não há custos para o serviço público, pois cada um, na visita diária à Dinamarca do Lago Norte, em Brasília, paga a sua conta, é bom ressaltar.
Na Aneel, é diferente. Se você quiser conhecer a verdadeira Dinamarca, o país escandinavo, de graça, basta ser funcionário da Agência Nacional de Energia Elétrica, pois, um dia, a sua vez chegará.
A Dinamarca, é verdade, é um país meio sem graça, mas tem gente que gosta. Pela agência Aneel Tour, será uma viagem meio apertada, mas, se tiver sorte, você poderá, então, conhecer algumas coisas interessantes.
Por exemplo: Jardim de Tívoli, Castelo Rosenborg e a estátua da Pequena Sereia. Também poderá fazer um passeio de barco pelo canal e ver a cidade de Copenhague noutra perspectiva. Como tudo é muito civilizado e meio parado, num ritmo com o qual brasileiros não estão acostumados, Copenhage oferece a oportunidade de passeios ciclísticos ou então as excursões em ônibus panorâmicos que existem em muitas capitais.
Quem viaja pela capital da Dinamarca também pode conhecer a Cidade Livre de Christiania, um reduto de cidade alternativa.
Tudo isso movido a muita, mas muita cerveja de ótima qualidade.
O “Diário Oficial” publicou, nesta quinta-feira, 24 de julho, uma lista contendo 10 nomes de funcionários graduados da Aneel, que vão dar um passeio na Dinamarca. É possível que parte do grupo até já esteja lá ou a caminho. A outra parte vai em agosto/setembro.
Aparentemente, a Aneel pirou. Há poucos dias, soltou até um comunicado, dizendo que não tinha dinheiro nem para o papel higiênico (isto é brincadeira deste editor, mas a Aneel disse que não tinha disponibilidade financeira para nada mais e reclamava o contingenciamento do seu orçamento pelo Poder Executivo).
Agora saem publicados os atos com a assinatura da diretora geral substituta Agnes de Aragão da Costa, liberando 10 servidores para a feliz viagem à Dinamarca. É isso mesmo que você leu, caro leitor. Não se trata de 1 ou 2, são 10. Está faltando sensatez nos dirigentes da Aneel.
O primeiro grupo, inclusive, é liderado pelo diretor geral da agência reguladora do setor elétrico, Sandoval Feitosa. Dele fazem parte: a sua chefe de gabinete, Elvira Stroschein; a superintendente de Concessões e Autorizações, Ludmila Lima; o superintendente de RH, Rodrigo Coelho; e o gerente de Fiscalização da Geração, Rafael Caetano.
Quando esse grupo voltar, embarca a segunda leva de felizes viajantes da Aneel Tour à Dinamarca. Vão a procuradora federal junto à Aneel, Bárbara Bianca Sena; a especialista em Regulação, Leila Conceição Rocha; o coordenador de Gestão Tarifária, Ronaldo Amorim; a coordenadora de Projeto, Clélia Guedes; e outra especialista em Regulação, Cristina Schiavi Noda.
É verdade que, nesse segundo grupo, a razão da viagem tem uma finalidade pedagógica, pois oficialmente todos irão fazer um curso na Dinamarca.
Então, tá explicado. As coisas não funcionam na Aneel não é por falta de dinheiro. Não é porque o orçamento foi contingenciado. É apenas porque aquilo virou uma espécie de liberou geral. E tá todo mundo aproveitando e viajando pelo planeta.
Agora, é a Dinamarca, mas já foram a Itália, os Estados Unidos, a Alemanha e provavelmente a Aneel já mandou alguém até o Tuvalu, antes que o pequeno país desapareça em consequência das mudanças climáticas.
Este editor já viajou pelo mundo e conhece muitos países em todos os continentes. Mas viagens com o seu próprio dinheiro. Por isso, ao saber que ser da Aneel também significa viajar por aí, mesmo com ônus limitado, é uma tremenda sacanagem com quem é contribuinte.
Caros companheiros da Aneel: se vocês querem ser respeitados, admirados e apoiados, precisam, antes de tudo, dar o exemplo. Bons exemplos. Não este, de transformar a agência reguladora em uma agência de viagens.