Da Redação, de Brasília (com apoio da Memória da Eletricidade/AE) —
O historiador norte-americano Matthew P. Johnson esteve presente, em agosto, na sede da Memória da Eletricidade, no Centro do Rio de Janeiro. O objetivo da visita foi entregar à Rede Bibliotecas da Energia um exemplar do seu novo livro, “Hidrelétricas no Brasil autoritário: uma história ambiental”, produzido a partir de consultas ao acervo documental.
Durante o encontro, o pesquisador conheceu a equipe e concedeu uma entrevista sobre a nova publicação, que debate a história e as consequências das construções de barragens nas décadas da ditadura militar (1964-1985), período em que foram erguidas as maiores hidrelétricas brasileiras.
Matthew esteve no Rio de Janeiro para lançar a versão traduzida em português do livro, pela editora Garamond. A versão original, em inglês, foi lançada em 2024. Em entrevista concedida à equipe da Memória da Eletricidade, o historiador detalhou os aspectos principais que formam o argumento da pesquisa.
“A grande lição que podemos tirar da história das hidrelétricas brasileiras é de que é necessário fazer uma transição energética justa, porque se os impactos socioambientais não forem tratados de forma compreensiva, eles podem ser muito prejudiciais à reputação e à recepção pública desses projetos”, afirmou.
No acervo da instituição, Matthew consultou cinco fundos de engenheiros históricos do setor elétrico brasileiro: Antonio Dias Leite, ex-ministro de Minas e Energia que viabilizou a construção das usinas de Itaipu e Tucuruí; John Cotrim, responsável pela criação de Furnas, além de ter sido diretor-técnico da obra de Itaipu; Lucas Lopes, primeiro presidente da Cemig; Mauro Thibau, ex-ministro de Minas e Energia (1964-1967); e Octávio Marcondes Ferraz, ex-presidente da Eletrobras (1964-1967).
“O acervo da Memória da Eletricidade foi muito importante nesse trabalho. O Centro foi citado muitas vezes ao longo do livro, e o fundo dos engenheiros me auxiliou muito porque eles guardaram diversos documentos sobre o planejamento dos projetos, aspectos ambientais, como lidariam com as adversidades, entre outros fatores”, conta Matthew.
O livro está disponível para consulta, mediante agendamento, na sede da Rede Bibliotecas da Energia, na R ua São Bento, 8, no Centro do Rio de Janeiro. Também pode ser adquirido por outros meios.
Matthew P. Johnson é historiador ambiental, doutor em História pela Universidade de Georgetown e pesquisador de pós-doutorado no High Meadows Environmental Institute, da Universidade de Princeton, além de especialista em história da energia e da água na América Latina.