Maurício Corrêa, de Brasília —
O início, pela Aneel, do processo administrativo que poderá levar à caducidade do contrato de concessão da italiana Enel, na região metropolitana de São Paulo, está atiçando o mercado.
Afinal, não é uma distribuidora qualquer de fundo de quintal. É apenas a maior concessionária de distribuição de energia elétrica da América Latina, um projeto que os italianos não tiveram competência para levar em frente. Gastaram uma nota para comprar a concessão e agora provavelmente vão perdê-la, por absoluta incompetência na gestão do negócio.
O mercado não acredita um tostão furado que a Enel poderá manter a concessão. Os italianos estão desmoralizados, pois perderam a condição institucional fundamental para permanecer à frente da concessão. Por isso, já começaram as especulações sobre quem poderá ficar com a concessão na Capital de São Paulo e municípios vizinhos.
Antes de especular, é preciso entender que o novo controlador precisará ser uma espécie de cachorro grande, que tenha fôlego para administrar bem o a concessão, não praticar os erros primários cometidos pela Enel e ainda ganhar um bom dinheiro. Quem teria cacife para isso no Brasil? Quem suficientemente grande, com muita bala na agulha, e acostumado a tocar negócios de peso estaria em condições de ficar com a Enel SP?
Nesse nível, fala-se no Banco BTG Pactual, que já tem negócios na área de energia há muito tempo, na Âmbar Energia e em alguma empresa chinesa que já esteja presente no Brasil, tipo CPFL.
Ainda tem algum chão pela frente e a mudança de controlador na Enel SP não vai acontecer da noite para o dia.
De qualquer modo, é bom ficar atento ao zum-zum. A qualquer momento, o Brasil saberá quem vai ficar com a concessão.