Maurício Corrêa, de Brasília —
Depois as pessoas da CCEE, do MME e de algumas operadoras do mercado ficam dizendo por aí que o site “Paranoá Energia” é fofoqueiro.
Mas quem lê a ata do Conselho de Administração da CCEE referente à reunião realizada no dia 20 de fevereiro, última sexta-feira, só pode entender que ali tem um prato cheio para uma boa fofoca, daquelas do tipo federal.
Curiosidades sobre essa ata: a reabertura foi validada até o dia seguinte, 21 de fevereiro, último sábado, visando exclusivamente à composição de indicações por parte do MME.
Perguntas que não podem deixar de serem feitas:
- O Governo se esqueceu de indicar alguém para o Conselho de Administração da CCEE dentro do prazo regimental?
- Ou indicou alguém e depois desistiu da indicação, por algum motivo especial? Por exemplo: depois de ter indicado, o MME descobriu que indicou a pessoa errada?
- E se realmente mudou de ideia a respeito de alguém que tenha indicado, qual foi a razão que levou o MME a tomar essa decisão?
Deus Pai. Os caras não têm mais qualquer tipo de preocupação. Simplesmente atropelam um prazo regimental e vão em frente, na cara de pau, apenas para atender ao pedido de Sua Excelência, que na essência é quem manda na CCEE.
Qualquer que tenha sido o motivo, o mais chocante nessa história é a subserviência da CCEE ao Ministério de Minas e Energia. Os conselheiros da CCEE podem alegar o que quiserem. Podem espernear à vontade. O fato é que a reabertura do prazo regimental mostra apenas aquilo que todo mundo diz há muito tempo: a CCEE hoje não passa de um apêndice do MME. Isso é triste, mas infelizmente é a realidade: o ministro Alexandre Silveira faz o que quer ali e o mercado que se dane.
Depois tem gente (do mercado) que diz que o site “Paranoá Energia” é injusto quando diz que o que existe no Brasil é uma coisa meio parecida com o mercado, mas não é um verdadeiro mercado. Não dá para concluir de outro modo.
Afinal, numa atividade em que os preços são fixados por programas computacionais e ninguém reclama, quando prazos regimentais são reabertos por decisão de um ministro e este indica conselheiros sem qualquer experiência de mercado para a CCEE apenas para agradar ao pai do conselheiro, que é ministro de um tribunal superior, isso não é mercado. Isso não passa de uma brincadeira. Muito cara por sinal.