Maurício Corrêa, de Brasília —
Nesta segunda-feira, naturalmente foi enorme a repercussão no setor elétrico a respeito do despacho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicado no “Diário Oficial”, em que o Palácio do Planalto passa como uma motoniveladora sobre a Aneel a respeito do tratamento dado à concessionária Enel, da Grande São Paulo.
Este editor gostaria de destacar apenas dois comentários de respeitados especialistas do setor elétrico brasileiro, preservando os nomes de ambos.
O primeiro entrou cedo em contato com o “Paranoá Energia”, para manifestar que não tinha qualquer dúvida: a Aneel tinha levado um senhor pontapé no traseiro desferido pelo presidente da República, numa negociação que certamente envolveu o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Segundo a mesma fonte, a Aneel na prática “pediu” para ser arrochada dessa forma, devido aos seus procedimentos sempre muito cautelosos em relação à concessionária, para não dizer hesitantes. Nesse contexto, a agência nunca teria sabido lidar com um problema tão grande quanto esse da Enel SP, a maior distribuidora do País.
Nessa mesma linha de raciocínio, mas avançando um pouco mais, o segundo interlocutor do site entende que a Aneel vem se omitindo há muito tempo quando se trata da Enel SP. E que a coisa foi degringolando e a agência acabou perdendo totalmente o controle da situação, até ganhar o despacho de Lula, hoje, no “Diário Oficial”.
Comentário desta segunda fonte: “A omissão também é uma escolha. E quase sempre alguém a fará por você. A Aneel foi alertada inúmeras vezes. Quem detinha o poder de decidir, não decidiu. Agora, tem que assumir as consequências desse silêncio”.