Maurício Corrêa, de Brasília —
Este idoso editor nasceu na roça, no interior de Minas Gerais, sempre ouvindo dos mais velhos que sensatez e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. O caldo de galinha não é o caso, mas um pouco de sensatez para os dirigentes da Aneel talvez seja uma boa recomendação neste momento.
A razão é muito simples. Ao pedir para dois assessores que preparassem uma proposta com critérios para viagens de servidores ao exterior (que este site também entende que deva servir para os diretores, que igualmente são grandes viajantes), a agência simplesmente reconheceu que hoje não tem critério algum. Ou seja, sabe-se lá como essas decisões são tomadas, mas o servidor vai e viaja. É uma farra do boi e este site tem exaustivamente mostrado.
Seria razoável imaginar que, como a proposta ainda não foi apresentada à diretoria, o mais adequado talvez seria aplicar uma espécie de moratória sobre as viagens, do tipo: “Gente, vamos esperar um pouco, a proposta com critérios ficará pronta nos próximos dias e vamos ver como ficam as viagens”. ´Seria o mais sensato a se fazer, na visão deste editor.
Mas, não. A diretoria da Aneel carece de sensatez, não quer nem saber e tome viagem. Tanto que o “Diário Oficial” publicou, nesta quarta-feira, 29 de outubro, autorizações assinadas pelo diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, permitindo que três servidores (são três servidores e não apenas um, parece brincadeira) participem, entre 09 e 14 de novembro, de um mesmo evento em Assunção, no Paraguai.
Os felizardos viajantes vão participar do XXX Congresso Internacional sobre a Reforma do Estado, promovido pelo Centro Latino Americano de Administração para o Desenvolvimento (Clad).
É possível que esse tipo de evento não agregue muita coisa ao que a Aneel precisa incorporar ao seu conhecimento, mas Guilherme Favero Rocco (analista administrativo), Estefânia Torres Gomes da Silva (especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia) e Rachel Carvalho Sanches (idem) estarão lá no magnífico Yacht & Golf Club, localizado às margens do rio Paraguai, debatendo as “formas de modernização, equidade e inovação no setor público”.
Como já foi escrito, este site não tem poder algum, a não ser informar os seus leitores sobre esse excesso de viagens do pessoal da Aneel. Que cada leitor tire a sua própria conclusão. O site lamenta apenas que uma instituição como a Aneel, que tem tanta excelência técnica para oferecer ao setor elétrico brasileiro, se perca nesse tipo de coisa miúda, que acaba comprometendo a sua seriedade.