Maurício Corrêa, de Brasília —
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ganhou dois diretores, cujos nomes foram aprovados pelo Senado Federal nesta terça-feira, 19 de agosto.
Willamy Frota é engenheiro eletricista, mas o seu currículo mostra que é um desses especialistas em ser nomeado para cargos políticos. Presidiu a Amazonas Energia. Pelo menos teve a experiência de ser responsável por uma das piores distribuidoras de energia elétrica do País.Também foi diretor da Eletronorte. É tido no setor elétrico como uma espécie de “peixe” do senador Eduardo Braga, que batalhou bastante pela sua indicação e com certeza agora vai mandar num pedaço da Aneel. O novo diretor vai ocupar a vaga do ex-diretor Hélvio Guerra, cujo mandato (acreditem se quiser) terminou em maio de 2024.
Quanto ao diretor Gentil Nogueira é o atual secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME). Como o ministro Alexandre Silveira e o secretário-executivo do MME — cujo nome, desculpem, não foi possível guardar até hoje — entendem pouquíssimo de energia elétrica, Gentil Nogueira na prática foi o verdadeiro ministro de Minas e Energia na gestão de Silveira. Em retribuição, o ministro jogou pesado para ser indicado para a Aneel. É servidor de carreira da Aneel, onde já foi superintendente de Fiscalização dos Serviços de Geração. Vai ocupar a vaga do diretor Ricardo Tilli, que deixou o cargo em 24 de maio passado. Pelo menos, neste caso a vacância foi de apenas três meses.
Uma das características do ministro Alexandre Silveira é a sua enorme capacidade de, na maior parte dos casos, indicar nulidades para cargos técnicos vinculados a sua Pasta. Como se diz lá na roça, de onde menos se espera alguma coisa é que não sai nada mesmo.
Na opinião deste editor, a Aneel, hoje, é uma agência reguladora totalmente capturada pelos interesses políticos do Ministério de Minas e Energia. Já vem fazendo o jogo do MME há muito tempo e com os novos diretores tudo indica que o Poder Executivo apenas reforça o seu mando sobre a Aneel, que já foi um belo projeto de renovação do setor elétrico brasileiro, mas que, hoje, não passa de mais do mesmo.
Nomes para diretoria da ANP
Nas mesmas sessões da Comissão de Infra-Estrutura e do plenário do Senado Federal em que foram aprovados os nomes para a diretoria da Aneel, os senadores também aprovaram dois nomes para compor a diretoria da ANP:
Arthur Watt Neto atualmente é consultor jurídico da Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA) e procurador federal da Advocacia-Geral da União de carreira, onde ingressou por concurso público em 2006. Ao longo de sua trajetória profissional na AGU, destaca-se a atuação na Procuradoria Federal junto à ANP por 12 anos (2010 -2022).
Pietro Mendes é secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) e presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Foi secretário-adjunto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e diretor do MME. É especialista em Regulação concursado da ANP com mais de 16 anos de experiência, tendo exercido a função de assessor do Diretor-Geral e de Superintendente Adjunto de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos.