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Elena Landau: seu artigo está perfeito

Maurício Corrêa, de Brasília —

Em artigo de enorme clareza publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, na edição de 29 de março (“No escuro”), a advogada e economista Elena Landau aborda as dificuldades vividas pelos consumidores de energia elétrica de São Paulo, mas não fica nisso e avança até o “X” da questão.

Este site, nas limitações do espaço que ocupa na mídia, tem trabalhado na mesma linha de raciocínio, de tentar mostrar aos leitores que as autoridades (Aneel e MME) estão totalmente apáticas em relação ao problema da Enel em São Paulo e, acomodadas, deixaram os consumidores completamente entregues ao destino. Numa espécie de “seja o que Deus quiser”.

Desde que o “Paranoá Energia” identificou corretamente a questão da Enel, a audiência do site, aliás, não parou de crescer e simplesmente dobrou. Sinal que os leitores estão em busca de uma solução, entendem o que está sendo escrito e concordam que existe uma inexplicável omissão da Aneel e do MME quanto ao que se passa em São Paulo.

Este texto, entretanto, não é para falar do “Paranoá Energia” e, sim, do texto assinado por Elena Landau, que entende do assunto.

Ela tem total razão, sim, em vários pontos. De fato, a questão paulista da Enel contamina o setor elétrico brasileiro como um todo e gera uma onda contra a privatização. Como o Governo atual tem ojeriza à privatização, isso talvez explique a omissão por parte do MME: deixa o barco correr e depois a gente toma conta desse negócio da nossa maneira.

Elena Landau mostra, com propriedade, que o SEB está desmoronando, que a governança foi destruída e que as competências foram atropeladas. Até o TCU, que não tem que meter a colher de pau na gestão do setor elétrico, está fiscalizando a operação da Enel.

“O MME está mais preocupado em intervir na Petrobras…do que cuidar das ineficiências que vão se acumulando na operação, da geração à distribuição”, argumentou a advogada e economista.

Ela também identificou algo que este site já havia observado: o regulador infelizmente capitulou.

Enfim, é lamentável dizer isto, mas o setor elétrico brasileiro está uma bagunça, em termos institucionais, e, nessas condições, normalmente quem vence são as forças que gostam do fisiologismo e do populismo, que se aproveitam da omissão do Estado.

Obviamente, tem um monte de gente que cai de pau neste editor e o considera paranoico. Seria interessante, porém, saber exatamente porque a Aneel e o MME não fazem nada em relação à Enel. Ninguém diz nada.

Este site não quer ver o circo pegar fogo, mas esses caras que mandam hoje no setor elétrico brasileiro poderiam pelo menos dar uma enganada e abrir um processo para perda da concessão da Enel em São Paulo. Um pouco mais de responsabilidade não faria nada a ninguém.

Mesmo que este não seja o objetivo final deles. Abre o processo, dão uma satisfação à opinião pública, aos sofridos consumidores. Nem isso têm a coragem de fazer.

Jornalistas, como este editor, e formadores de opinião, como Elena Landau, não podem fazer muita coisa a não ser se manifestar e expor publicamente as suas ideias.

Não é muita coisa, mas é muito melhor do que ficar como outras pessoas ou organizações, que estão vendo a coisa ir pro brejo, não têm coragem para tomar atitudes e só sabem puxar o saco das autoridades, em busca de migalhas de decisões que possam eventualmente beneficiá-las. É desolador ver tudo isto acontecer.

Que os consumidores de energia elétrica de São Paulo estejam certos da total solidariedade do site “Paranoá Energia” neste momento tão difícil para muitos deles.

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