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Acordo nuclear Irã x Estados Unidos está empacado

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse nesta terça-feira, 17, que, embora algum progresso tenha sido feito nas conversas com o Irã sobre seu programa nuclear, o país persa não está disposto a aceitar algumas das “linhas vermelhas” de Donald Trump.

“Uma coisa sobre as negociações desta manhã é que – de certa forma, foi bem. Eles concordaram em se encontrar depois, mas, por outro lado, ficou muito claro que o presidente estabeleceu algumas linhas vermelhas que os iranianos ainda não estão dispostos a realmente reconhecer e trabalhar”, afirmou Vance em entrevista à Fox News.

Segundo Vance, os EUA não permitirão que o Irã obtenha uma arma nuclear e Trump “tem muitas opiniões” sobre Teerã.

“Vamos continuar trabalhando nisso, mas é claro que o presidente reserva a capacidade de dizer quando ele acha que a diplomacia atingiu seu fim. Esperamos não chegar a esse ponto, mas se chegarmos, essa será a decisão do presidente”, acrescentou.

Discurso do líder supremo iraniano

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em resposta a declarações anteriores do presidente dos EUA, Donald Trump, que “você também não conseguirá destruir a República Islâmica”. O republicano voltou a falar em mudança de regime em Teerã e enviou um segundo grupo de porta-aviões ao Oriente Médio.

Sem mencionar diretamente Washington, Khamenei ironizou a retórica militar norte-americana. “Ele diz que seu Exército é o mais forte do mundo. O Exército mais forte do mundo pode, às vezes, levar um golpe tão forte que não consiga mais se levantar”, alertou.

Em outra referência indireta ao reforço naval dos EUA na região, acrescentou: “Mais perigosa do que um porta-aviões é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar.”

As declarações ocorrem após Trump afirmar que uma mudança de poder no Irã “seria o melhor que poderia acontecer”, ao mesmo tempo em que pressiona por concessões mais amplas de Teerã, incluindo restrições ao programa nuclear, aos mísseis balísticos e ao apoio a grupos aliados no Oriente Médio.

Khamenei também rejeitou as condições impostas por Washington para eventuais tratativas. “Determinar previamente o resultado de uma negociação é algo tolo”, disse.

Segundo ele, os EUA propõem discutir a energia nuclear iraniana já estabelecendo como desfecho que o país não poderá mantê-la. “Se houver uma negociação, definir o resultado de antemão é um ato errado e tolo”, afirmou.

O Irã sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos e acusa os EUA de buscar “dominar a nação iraniana”. O impasse ocorre às vésperas de nova rodada de negociações entre Teerã e Washington.

Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, reuniu-se em Genebra com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. Araghchi afirmou estar na cidade suíça com “ideias concretas para alcançar um acordo justo e equitativo”, mas ressaltou que “submissão diante de ameaças” não está em discussão.

Em entrevista à BBC, o vice-chanceler Majid Takht-Ravanchi disse que o Irã aceita negociar o programa nuclear desde que haja alívio das sanções lideradas por Washington.

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