Em evento sobre o mercado de gás natural na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, reafirmou nesta terça-feira, 27, que a estatal tem disponível 2,9 gigawatts (GW) de térmicas para serem contratados em 2026 e 2027 em leilões de reserva de capacidade. Ela ainda comentou os novos ajustes do Ministério de Minas e Energia (MME) no certame.
Em sua avaliação, há sinalizações positivas na portaria normativa publicada nesta terça-feira. “Melhora um pouco o jogo porque reduz a quantidade de valor que se tem que colocar em Receita Fixa (RF)”, disse ela a jornalistas. “E há a divisão da tarifa de transporte em duas, com a entrada do gás ficando a cargo do supridor e a saída com a térmica”, complementou.
Estão marcados para março deste ano dois leilões de reserva de capacidade: o primeiro, em 18 de março, para contratação de usinas termelétricas a gás natural, carvão mineral e hidrelétricas; e o segundo, em 20 de março, destinado a usinas termelétricas a óleo combustível e biodiesel.
O ajuste na diretriz da MME estabelece, ainda, que as usinas devem garantir transporte firme de gás natural para ao menos 70% da operação do empreendimento. Antes, o percentual era equivalente a 100%.
Para a vice-presidente de Estratégia, Desenvolvimento de Negócios da Equinor, Claudia Brun, a redução traz alívio aos participantes, mas gera alguns pontos de atenção.
“Precisamos pensar em soluções para assegurar a recontratação da capacidade e competitividade do leilão”, observa Brun. “A estratégia do governo de colocar projetos termelétricos a gás conectados ao Sistema de Transporte de Gás Natural (STGN) competindo com aqueles que não estão conectados é uma estratégia que não foi a mais acertada para assegurar a recontratação das térmicas”, pontuou ela.
Estatal reduz preço do GN em 7,8%
A Petrobras anunciou nesta terça-feira, 27, que vai reduzir em média o preço do gás natural em 7,8% para as distribuidoras a partir do dia 1º de fevereiro, conforme antecipou mais cedo a diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano.
Os contratos de venda de gás natural às distribuidoras preveem atualizações trimestrais da parcela do preço relacionada à molécula do gás e tradicionalmente vinculam esta variação, para cima ou para baixo, às oscilações do petróleo Brent, da taxa de câmbio R$/US$ e, desde o início do ano também para variação do Henry Hub.
Segundo a estatal, no início de 2026 começou a valer a parcela indexada ao Henry Hub (referência para o mercado de gás natural nos Estados Unidos) para as distribuidoras que optaram por essa alternativa de indexação.
“Importante destacar que as efetivas variações finais dos preços por distribuidora dependerão dos produtos contratados e dos volumes efetivamente retirados, considerando os prêmios criados pela Petrobras a partir de 2024, que possibilitam a redução do preço a depender dos volumes retirados: o prêmio por performance e o prêmio de incentivo à demanda”, informou a Petrobras.
A Petrobras ressaltou que o preço final do gás natural ao consumidor não é determinado apenas pelo preço de venda da molécula pela companhia, mas também pelo custo do transporte até a distribuidora, pelo portfólio de suprimento de cada distribuidora, assim como por suas margens (e, no caso do GNV – Gás Natural Veicular, dos postos de revenda) e pelos tributos federais e estaduais.
Ainda de acordo com a empresa, desde dezembro de 2022, o preço médio da molécula vendido às distribuidoras acumula uma redução da ordem de 38%, incluindo o efeito da redução de fevereiro.
