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Com Academy, CCEE investe no ensino

Maurício Corrêa, de São Paulo —

Como sucessora do extinto MAE, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) deveria se concentrar na contabilização de contratos de compra e venda de energia elétrica. Mas, ao longo do tempo, o Governo foi enfiando tantas atribuições pela goela abaixo da Câmara, que ela se desfigurou totalmente. Agora, a CCEE está consolidando um papel que vem cumprindo, o ensino, através do projeto da CCEE Academy.

O lançamento oficial foi feito nesta terça-feira, 17 de agosto, em São Paulo. Na realidade, a CCEE Academy é apenas a consolidação de uma série de iniciativas que a Câmara já vem fazendo, há anos.

O conselheiro Ricardo Simabuku, responsável pelo projeto, explicou que a CCEE tem a obrigação, sim, de divulgar o que é e como funciona o mercado de energia, principalmente agora que o setor elétrico passa por grandes transformações, com o surgimento de novos agentes econômicos, a introdução de novas tecnologias e a ampliação do número de consumidores no mercado livre.

Alexandre Peixoto, presidente do Conselho de Administração da CCEE, disse que a Academy é uma plataforma de aprendizado, que vai oferecer cursos especializados e destinados à capacitação para que agentes e consumidores possam enfrentar os desafios do SEB.

“´Será um hub de capacitação da Câmara, que objetiva construir uma CCEE cada vez mais preparada para o futuro. A CCEE Academy resgata os momentos áureos de outros cursos do setor elétrico”, frisou, lembrando a tradição do SEB, há décadas, de oferecer cursos de capacitação de alto nível.

“O projeto representa a concretização de um sonho, que é promover o desenvolvimento do setor elétrico através da educação”, afirmou Alexandre Peixoto, lembrando também que a agenda do SEB compreende iniciativas históricas no curto e médio prazos, como a realização da COP 30, a abertura do mercado livre e a consequente ampliação do número de consumidores de energia elétrica nesse mercado. Isso, sem contar o crescimento da geração distribuída e a introdução de baterias de armazenamento, que exigem profissionais qualificados.

A CCEE incorpora, nesse projeto, o cadastro de 28 mil alunos que já passaram por cursos diversos na própria Câmara. Com o novo projeto também está disponibilizando informações aos alunos sobre temas transversais, como finanças e gestão. “A CCEE objetiva ser protagonista de um mercado mais transparente”, argumentou Peixoto, frisando que a Câmara quer formar talentos para que o SEB seja cada vez mais moderno e sustentável. “Estamos reforçando o papel de vanguarda da CCEE”, assinalou o presidente do Conselho.

O projeto da CCEE Academy tem muita contribuição do gerente executivo de Regulação, Informação ao Mercado e Capacitação da instituição, o administrador César Pereira. “Queremos acelerar a preparação de profissionais para o setor elétrico brasileiro”, destacou, esclarecendo que, além dos 28 mil alunos cadastrados, a CCEE tem hoje 3 mil alunos ativos, que se dedicam, na média, a 250 horas de conteúdo.

César Pereira conta com enorme experiência na disseminação de conhecimentos técnicos na área de energia elétrica. Ele é remanescente do primeiro grupo de especialistas da CCEE que, há cerca de 15 anos, começou a discutir com a associação dos comercializadores de energia elétrica, a Abraceel, a formatação de um curso inovador de certificação para operadores do mercado. O curso cresceu ao longo do tempo e mais recentemente foi absorvido pela própria CCEE. Já está na 13ª. Edição, tendo certificado 200 profissionais, que recebem um documento válido por cinco anos.

O projeto da CCEE Academy vai lançar cursos como operação do comercializador varejista, agente de autoprodução, gestão de consumidores e formação de BackOffice. Todas essas iniciativas interessam enormemente ao mercado, pois o SEB se sofistica a cada dia que passa e nem sempre tem profissionais disponíveis no mercado que conheçam essas áreas.

A Câmara também está envolvida numa proposta de relevância para o SEB, que é o primeiro curso de formação de árbitros na área de energia elétrica. Trata-se de uma área em que há grande carência de especialistas, pois o crescimento do mercado gerou a intensificação das disputas judiciais entre os agentes e muita divergência converge para a arbitragem. “Tem uma lacuna, aí, que estamos preenchendo”, argumentou César  Pereira.

A CCEE contará com parcerias acadêmicas que já vem trabalhando com o setor elétrico há muitos anos, como a Fundação Dom Cabral, o Insper, a Fundação Getúlio Vargas e a Universidade de São Paulo. No lançamento do projeto, professores dessas instituições participaram de uma mesa redonda.

Para o conselheiro Ricardo Simabuku, não se pode argumentar que a CCEE esteja fazendo algo que não lhe compete. Ele não tem dúvidas que a disseminação do conhecimento sobre o setor de energia elétrica é algo que se encaixa naturalmente entre as atribuições estatutárias da Câmara. Elencou uma série de iniciativas que a CCEE vem tomando ao longo da sua história, sempre em consonância com os agentes que a controlam.

Reconhecido no setor elétrico como um profissional eficiente e discreto, que fala pouco. Simabuku mostra entusiasmo pelo projeto da CCEE Academy. Na sua visão, não basta o setor elétrico brasileiro passar por transformações estruturais. É preciso contar com profissionais qualificados para as novas atribuições do SEB. E ele entende que a CCEE está habilitada para contribuir com o conhecimento que o mercado exige.

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