Política Energética, Regulação, Setor Elétrico, Gás Natural, Energias Alternativas, Empresas e Negócios

Mercado é o foco em novo programa de GN

Maurício Corrêa, de Brasília —

Ao anunciar, nesta quinta-feira, 21 de março, o lançamento do programa “Agenda do Novo Mercado de Gás”, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, deixou transparecer que deu uma enquadrada na Petrobras. Há largo tempo, a estatal se movimenta nos bastidores — com o apoio nada discreto de técnicos do próprio MME, usando todo o seu peso político para impedir a viabilização de um mercado livre de gás natural, nos moldes como já funciona, há 20 anos, na área de energia elétrica.

Segundo o ministro, a “Agenda” é o novo nome do antigo programa “Gás para Crescer”, que foi tocado com bastante intensidade logo após o fim do Governo Dilma, pela equipe do ministro Fernando Coelho Filho e que depois mergulhou no ostracismo na gestão do seu sucessor, Moreira Franco.

Segundo o ministro Bento Albuquerque, o sucesso da “Agenda” como indutora de desenvolvimento do mercado de gás natural não depende apenas do Governo, mas, também, da Petrobras e da ANP. “O objetivo é a geração de energia em base competitiva para as empresas. O gás terá um papel importante na matriz energética brasileira”, afirmou, lembrando que o País, no médio prazo, se transformará não apenas em grande produtor de petróleo, mas igualmente de gás natural, graças à produção dos campos do Pré-Sal, que se situam relativamente nas proximidades do centro industrial do País, que é o Sudeste.

Medindo as suas palavras, o ministro de Minas e Energia explicou que o MME não interfere na gestão da Petrobras, mas que a sua Pasta conduz políticas públicas relevantes que precisam ser compreendidas pela estatal. E uma delas consiste exatamente na maior utilização do gás natural nos processos industriais, de modo que a indústria brasileira possa competir lá fora de forma competitiva.

Ele não aceitou a provocação de um repórter, que perguntou se a Petrobras, em relação ao gás natural, não seria uma espécie de “fogo amigo”. “A Petrobras não é fogo amigo e nem fogo inimigo. Tenho conversado com os seus dirigentes, que observam as normas de governança da empresa. Além disso, há outros agentes públicos envolvidos, como a própria ANP, o Cade e o Ministério da Economia”.

Bento Albuquerque reconheceu que a questão do gás natural é uma demanda antiga, que precisa ser resolvida. “Temos que encarar e resolver o problema, criando condições para que o gás natural entre na nossa matriz energética em condições adequadas”, afirmou o ministro.

Ele explicou que não se trata de uma mera mudança de nome em um programa que vinha devagar, quase parando. “Temos um novo governo, novas equipes. O nosso propósito é aperfeiçoar o que já existe, através de uma nova gestão, mas consolidando todo o desenvolvimento anterior”.

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