Da Redação, de Brasília (Com apoio da Abinee) —
A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) não economizou palavras nas críticas que fez ao Governo Federal, devido à iniciativa do Ministério de Minas e Energia de alterar os índices do chamado “conteúdo local” nas áreas de petróleo e gás natural. Segundo um comunicado distribuído à imprensa, a Abinee repudiou “a a decisão do Governo de reduzir os índices de Conteúdo Local, o que causará impactos à capacidade produtiva e de geração de empregos no País”, transferindo empregos para o exterior
Ao lado de 14 entidades que representam cerca de 200 mil empresas e milhões de trabalhadores, a Abinee integra o Movimento Produz Brasil que foi criado com o objetivo de atuar na retomada do crescimento econômico e na recuperação da atividade industrial.
“Os representantes da indústria reivindicam que os índices de Conteúdo Local segreguem bens de serviços e que sejam condizentes com a capacidade produtiva do País, que já acumulou experiência e tecnologia suficientes para atender o mercado de petróleo dentro dos padrões internacionais. A indústria brasileira apoia a racionalização do Conteúdo Local, mas não aceita que ela seja descaracterizada com índices globais e extremamente baixos, legando à sociedade brasileira apenas serviços de baixo valor agregado. Políticas públicas não podem ser boas apenas para um grupo de meia dúzia de empresas petrolíferas e prejudicar todo o País”, diz o comunicado da Abinee.
Na avaliação da associação, a grave situação por que passa a Petrobras, e por extensão o setor de petróleo e gás como um todo, não originou-se na política de Conteúdo Local. “A razão é de conhecimento público e alvo de investigações veiculadas dia após dia nos meios de comunicação. Dessa forma, o que está sendo proposto pelo Governo pode alijar muitos fabricantes instalados no País desse mercado. No caso do setor eletroeletrônico, ficará comprometida toda a área de Automação, Equipamentos Industriais, GTD (Geração, Transmissão e Distribuição) e Telecomunicações, onde está a tecnologia dos projetos”, assinalou a nota da Abinee.
No entendimento da associação que representa a indústria elétrica e eletrônica, “nesse momento de crise, ao invés de apoiar a sua indústria como um fator essencial para a retomada do desenvolvimento, o País opta pelo caminho inverso. O resultado disso será a corrosão de cadeias produtivas e, o que é pior, a transferência de empregos para outros países. Quem paga é o Brasil!”, complementou.
Em um comunicado anterior, a Abinee já havia alertado que o déficit da balança comercial dos produtos elétricos e eletrônicos atingiu US$ 2,2 bilhões em janeiro de 2017, resultado 54% superior ao registrado no mesmo período do ano passado (US$ 1,4 bilhão).
O crescimento do déficit reflete o desempenho das importações, que aumentaram 39,2%, passando de US$ 1,8 bilhão para US$ 2,5 bilhões no primeiro mês deste ano. A alta das importações atingiu todas as áreas representadas pela Abinee, com exceção do segmento de automação, e com destaque para o aumento de 45,5% dos componentes elétricos e eletrônicos, cujo montante representa 60% das importações totais do setor.
As exportações, por sua vez, apresentaram redução, somando 349,3 milhões em janeiro, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. É importante observar que o resultado das exportações é reflexo de um fato isolado. A queda foi puxada pelo baixo desempenho das vendas externas de Equipamentos Industriais (-62,6%) que sofreu forte impacto da retração de apenas um item: dispositivos de tratamento de materiais por mudança de temperatura que, em janeiro de 2016, apresentou montante muito expressivo e pontual, atingindo US$ 90 milhões.