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China e já concentra 57% de todo o investimento em tecnologia de energia limpa no mundo

Da Redação, de Brasília (com apoio do Instituto ClimaInfo) —

A China ampliou sua vantagem em energia limpa em meio à guerra no Irã, à volatilidade dos mercados de petróleo e gás e ao boom dos data centers, aponta relatório divulgado nesta terça-feira (22), às vésperas da primeira visita de Estado de Xi Jinping à Casa Branca em mais de uma década. 

A China concentra hoje 57% de todos os investimentos anunciados em fabricação de tecnologias de energia limpa no mundo. Segundo o estudo, o país continua superando os Estados Unidos por larga margem em investimentos, implantação e exportações dessas tecnologias. 

A distância aumentou neste ano, justamente quando o governo Trump adotou medidas para restringir o avanço dessas indústrias nos Estados Unidos. O relatório A próxima fase da corrida pela energia limpa, da Atlas Public Policy e do Clean Power Information Project, aponta que essa vantagem ganha peso estratégico diante da guerra dos EUA no Irã e do forte aumento da demanda por eletricidade dos data centers de inteligência artificial. 

“Estamos em meio a uma recalibragem da economia limpa. A China ainda domina, mas as preocupações com o excesso de capacidade estão pressionando as empresas chinesas a exportar mais e buscar oportunidades de investimento no exterior. Enquanto isso, as empresas dos Estados Unidos ainda estão tentando encontrar seu rumo depois de um 2025 caótico”, afirmou Tom Taylor, da Atlas Public Policy

“Todos estão tentando se proteger da turbulência nos mercados de energia. As tecnologias limpas são uma das melhores maneiras de fazer isso, o que favorece as indústrias chinesas, que vêm investindo nessas tecnologias há décadas”, completa. 

Os autores do relatório observam que o momento da visita de Xi torna essas conclusões particularmente evidentes. Enquanto os dois presidentes se reúnem para discutir comércio, tarifas e a relação bilateral de forma mais ampla, os dados mostram uma corrida cada vez mais desequilibrada: a China dita o ritmo em implantação, exportações e investimentos em fabricação, chegando à cúpula com um grau de segurança energética decorrente de seu domínio em energia limpa, enquanto os Estados Unidos permanecem muito atrás e sobrecarregados pelo aumento dos custos de energia. 

Principais conclusões do relatório: 

A cadeia de suprimentos de energia limpa da China supera amplamente a dos EUA — e a distância continua aumentando 

O investimento acumulado anunciado em fabricação de tecnologias limpas nos Estados Unidos desde 2019 soma US$ 249 bilhões — menos de um quarto dos US$ 1,19 trilhão em investimentos globais totais, cuja maior parte é liderada por empresas chinesas (US$ 673 bilhões). Somente no primeiro semestre de 2026, o investimento líquido da China, de US$ 16,7 bilhões, foi mais de três vezes superior aos US$ 5,2 bilhões dos Estados Unidos no mesmo período. 

Domínio da China em energia limpa no mercado doméstico rende dividendos estratégicos durante a guerra no Irã 

O relatório conclui que a China está mais bem posicionada do que muitas economias importadoras de petróleo para enfrentar a volatilidade dos mercados globais de petróleo provocada pela guerra no Irã, em parte graças à posição dominante do país em energia limpa. No mercado doméstico, em maio de 2026, a China respondia por 49% de toda a capacidade solar instalada no mundo, 50% de toda a capacidade eólica instalada e 63% de todas as vendas globais de veículos elétricos. Nenhum outro país chega sequer perto desses números. 

Solar e baterias impulsionam novos investimentos em fabricação — em parte devido à demanda dos data centers 

Solar e baterias foram as únicas tecnologias limpas a registrar investimento líquido positivo no primeiro semestre de 2026 — US$ 4 bilhões e US$ 1,1 bilhão, respectivamente. O boom global dos data centers está impulsionando boa parte desse crescimento, e algumas montadoras estão redirecionando investimentos de baterias para veículos elétricos para o armazenamento estacionário de energia. GM, Ford e Honda anunciaram, no primeiro semestre de 2026, novos planos para fabricar baterias destinadas a data centers. 

Alguns países, incluindo a China, exigem que uma porcentagem da eletricidade consumida por seus data centers venha de energia limpa, enquanto os Estados Unidos não possuem uma política equivalente e dependem fortemente de turbinas a gás para abastecer seus data centers. 

Os autores do relatório alertam que os dados globais sobre a fabricação de sistemas de armazenamento estacionário ainda são muito mais limitados do que aqueles disponíveis para baterias de veículos elétricos, de modo que a verdadeira dimensão da expansão mundial do armazenamento provavelmente está subestimada. 

Em apenas três anos, a participação da China nas exportações de energia limpa disparou 

Em 2022, a China exportava 68% dos componentes solares do mundo, 49% das baterias de íons de lítio e seus componentes e 16% dos veículos elétricos. Em 2025, essas participações aumentaram para 74% no caso dos componentes solares, 61% no de baterias de íons de lítio e seus componentes e 25% no de veículos elétricos.

Neste ano, as exportações chinesas de produtos solares já cresceram 60% na comparação anual, à medida que se acelerou a demanda global por alternativas energéticas. Os autores ponderam que todos esses números provavelmente ainda subestimam a força do domínio chinês em energia limpa, uma vez que empresas de propriedade chinesa fabricam cada vez mais tecnologias limpas fora da China para evitar tarifas. 

Exportações chinesas de veículos elétricos quase dobram globalmente, enquanto vendas desaceleram nos EUA 

Nos Estados Unidos, que atualmente proíbem a importação de veículos elétricos chineses de passeio, as vendas de veículos elétricos caíram 27% na comparação anual até junho de 2026. A queda nas vendas coincidiu com o fim, pelo governo federal, de um incentivo de US$ 7.500 para veículos elétricos, como parte da One Big Beautiful Bill Act de 2025. Globalmente, no entanto, as vendas de veículos elétricos continuam crescendo, e a China parece caminhar para um recorde de exportações de veículos elétricos neste ano.

As exportações chinesas de veículos elétricos quase dobraram na comparação anual, passando de US$ 24,1 bilhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 43 bilhões no primeiro semestre de 2026. As pressões sobre os preços decorrentes de acontecimentos globais, como a guerra no Irã, provavelmente apenas acelerarão ainda mais a adoção desses veículos.

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