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Brasil emite 69 milhões de I-RECs em 2026, superando todo o ano de 2025

Da Redação, de Brasília (com apoio do Instituto Totum) —

O mercado brasileiro de Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-RECs) segue ritmo acelerado de expansão. Dados do Instituto Totum mostram que, até 20 agosto de 2026, já foram emitidos mais de 69 milhões de I-RECs neste ano, superando o volume registrado em todo o ano de 2025, que totalizou 64,7 milhões de certificados. 

A evolução demonstra a consolidação do Brasil como um dos principais mercados globais de certificação de atributos ambientais da energia elétrica. Entre 2020 e 2026, as emissões saltaram de 4 milhões para mais de 69 milhões de certificados, representando um crescimento superior a 1.600% no período. 

Cada I-REC corresponde a 1 MWh de energia elétrica gerada a partir de fonte renovável e funciona como um instrumento internacionalmente reconhecido para comprovação do consumo de energia. Os certificados são utilizados por empresas que desejam demonstrar, de forma auditável e rastreável, seus compromissos com metas de descarbonização, redução das emissões de gases de efeito estufa e estratégias ESG.

Segundo Fernando Lopes, diretor-geral do Instituto Totum, diversos fatores estruturais explicam a expansão do mercado. “O crescimento dos I-RECs acompanha uma transformação do ambiente corporativo. Cada vez mais empresas precisam comprovar a origem renovável da energia que consomem, seja para atender metas próprias de descarbonização, exigências de investidores ou demandas das cadeias globais de suprimentos. Os certificados se consolidaram como uma ferramenta essencial nesse processo”, afirma.

Outro fator importante é a própria expansão da geração renovável no Brasil. O aumento da capacidade instalada de fontes como solar, eólica, biomassa e hidrelétrica amplia naturalmente o potencial de emissão dos certificados, enquanto a abertura gradual do mercado livre de energia vem permitindo que um número crescente de consumidores associe seu consumo elétrico a atributos ambientais certificados.

Evolução das emissões de I-RECs no Brasil
AnoEmissões
20204.032.294
20219.212.692
202221.869.274
202337.826.964
202450.877.316
202564.744.840
2026*69.463.821

*Dados coletados em 20/08/2026. 

Além do crescimento quantitativo, o mercado também passa por um processo de maior sofisticação. Consumidores, investidores e reguladores vêm exigindo informações cada vez mais detalhadas sobre a origem da energia consumida, fortalecendo mecanismos de rastreabilidade e certificação ambiental.

Para Lopes, esse movimento tende a ganhar ainda mais força nos próximos anos.

“O mercado caminha para um nível cada vez maior de rastreabilidade. As discussões internacionais sobre critérios geográficos e horários para utilização dos certificados indicam uma evolução natural do setor. O Brasil reúne condições muito favoráveis para continuar ampliando sua participação nesse mercado, tanto pela diversidade da matriz elétrica quanto pela crescente demanda corporativa por atributos ambientais confiáveis”, destaca.

Apesar do cenário positivo, o setor acompanha desafios relevantes. Entre eles estão os impactos do curtailment sobre parte da geração renovável, a necessidade de expansão da infraestrutura de transmissão e a evolução das regras internacionais relacionadas ao reporte das emissões de Escopo 2.

Ainda assim, a expectativa do Instituto Totum é de continuidade da expansão do mercado brasileiro de I-RECs, impulsionada pela combinação entre crescimento das fontes renováveis, amadurecimento das estratégias corporativas de sustentabilidade e fortalecimento das exigências globais por transparência e rastreabilidade ambiental.

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