Da Redação, de Brasília (com apoio do ONS) —
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou nesta terça-feira, 07 de julho, para os agentes do setor os resultados do Plano da Operação Energética (PEN) – horizonte 2026-2030. O documento traz as avaliações das condições de atendimento do Sistema Interligado Nacional (SIN) para os próximos cinco anos. Pelos resultados, é previsto um avanço médio da carga de energia de 4,2% ao ano, atingindo em 2030 aproximadamente 98,8 GW médios, o que representa um aumento de cerca de 17,9%. A participação conjunta das fontes solar fotovoltaica e MMGD corresponderá a 31,7% da matriz elétrica em 2030.
Ao final de 2030, a capacidade instalada no SIN totalizará 287 GW. Em MMGD, esse avanço é previsto em 22,7 GW, totalizando 67,5 GW (23,5%) de capacidade instalada, já figurando como a segunda fonte de geração (18,1%), a partir de dezembro de 2025.
Em relação à flexibilidade operativa, a maior participação da energia eólica e fotovoltaica na matriz vem exigindo cada vez mais o atributo das fontes despacháveis, especialmente das hidrelétricas, que são controláveis e capazes de regular rapidamente a potência disponível.
“O SIN tem demandado cada vez mais requisitos de flexibilidade. Desta forma, o ONS precisa ter à disposição soluções despacháveis adequadas às rápidas variações de potência requeridas para atender a variação da demanda e das fontes intermitentes ao longo do dia. O sistema deverá continuar requerendo amplitudes diárias de geração flexível nos próximos anos”, explicou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.
As análises do PEN 2026 consideraram a incorporação da disponibilidade ao SIN das usinas termelétricas vencedoras nos dois Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap) realizados em março passado. Contudo, no sentido de busca do equilíbrio estrutural em termos de atendimento aos requisitos de potência, é necessária a continuidade da realização de leilões anuais.
Os estudos seguem indicando a permanência das violações no decorrer dos anos avaliados. O LRCap de baterias, previsto para acontecer ainda este ano, pode auxiliar na busca deste equilíbrio estrutural em termos de potência.
O PEN 2026 traz ainda um novo capítulo de avaliação do curtailment, onde a avaliação ganhou viés probabilístico por meio da análise de múltiplos cenários de geração eólica e solar centralizada além de diferentes perfis horários de demanda. Os resultados ratificam as conclusões dos estudos anteriores, com restrições máximas de até 40 GW e prevalência de cortes por razão energética (falta de demanda).
Esse cenário se justifica, nas primeiras horas da manhã, devido à combinação de uma demanda baixa com geração eólica ainda com fatores de capacidade elevados. Já no período entre o final da manhã e o início da tarde, acontece por ser um momento de maior fator de capacidade de geração solar em uma matriz com grande capacidade instalada desse tipo de fonte, seja centralizada ou distribuída.
“A edição 2026 do relatório aponta que, considerando as atuais premissas, a projeção de curtailment energético e por confiabilidade reduz ao longo do horizonte avaliado, evidenciando o efeito conjunto do crescimento da demanda, da expansão da rede de transmissão e da redução do ritmo de expansão das fontes eólicas e solares conectadas na rede básica”, destacou o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato.