A mediana das projeções do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu de 3,97% para 3,95%. A taxa está 0,55 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 4,02%.
Considerando apenas as 60 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,96% para 3,92%.
A projeção para o IPCA de 2027 ficou estável em 3,80%, pela 15ª semana consecutiva. Considerando apenas as 55 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,80% para 3,70%.
O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus, que previa que alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.
Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
No Focus divulgado nesta quarta-feira, a projeção para o IPCA de 2028 ficou estável em 3,50%, pela 15ª semana seguida. Para 2029, a projeção também ficou em 3,50%, pela 24ª semana consecutiva.
Projeção do dólar segue estável
A mediana das expectativas do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,50 pela 18ª semana consecutiva. A projeção para a moeda no fim de 2027 também permaneceu em R$ 5,50, mas pela 2ª semana seguida. Há um mês, estava nesse mesmo nível.
A moeda norte-americana fechou 2025 cotada em R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020
Na divulgação desta quarta-feira, a mediana para o fim de 2028 também seguiu em R$ 5,50, em relação à leitura anterior. Há um mês, estava em R$ 5,52. Para 2029, a estimativa caiu de R$ 5,57 para R$ 5,51. Há quarto semanas, era de R$ 5,57.
Evolução da taxa Selic
A mediana das estimativas do mercado financeiro do relatório Focus do Banco Central para a Selic no fim de 2026 continuou em 12,25%, pela 8ª semana seguida. Considerando só as 45 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 12,25% para 12,00%.
A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50%, pela 53ª semana seguida. Considerando só as 43 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana permaneceu em 10,50%.
A mediana para a Selic no fim de 2028 seguiu em 10,00%, pela 4ª semana consecutiva. Para 2029, a mediana ficou em 9,50%, pela 16ª leitura seguida.
Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% pela quinta vez seguida, mas indicou que pode começar o processo de corte dos juros na próxima reunião, em março.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse a ata da decisão.
PIB continua com expectativa de crescimento baixo
A mediana das previsões do mercado financeiro no relatório Focus do Banco Central para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permaneceu em 1,80%, pela 10ª semana consecutiva. Considerando apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa subiu de 1,79% para 1,90%.
O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre. Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 ficou estável em 1,80%, pela 7ª leitura consecutiva. Considerando só as 29 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa também seguiu em 1,80%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 101ª e 48ª semana seguida, respectivamente.
