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Projeto “Memória da Eletricidade” completa 40 anos de preservação da história do SEB

Da Redação, de Brasília (com apoio da Memória da Eletricidade) —

Nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, a Memória da Eletricidade completa 40 anos dedicados à preservação, documentação e disseminação da história de todo o setor elétrico brasileiro. Fundada em 1986, a instituição reúne hoje quase 2 milhões de páginas de documentos textuais e mais de 230 mil itens, entre fotografias, filmes, gravações, documentos e objetos. Ao longo de quatro décadas, o trabalho de organização e pesquisa do acervo passou a se somar a novas formas de compartilhar esse patrimônio, como exposições virtuais, publicações,espaços culturais e conteúdos para as redes sociais.

A trajetória da Memória acompanha as transformações do próprio setor elétrico. Nos últimos cinco anos, a expansão das fontes solar e eólica e da geração distribuída, assim como as discussões sobre modernização das redes, armazenamento de energia e integraçãode diferentes fontes, modificaram o cenário. Nesse contexto, preservar o que foi construído ao longo do tempo garante o acesso ao conhecimento e contribui para a construção das decisões que podem definir o futuro.

“Chegar aos 40 anos demonstra a relevância de um trabalho que se mantém necessário mesmo diante das transformações do setor elétrico. Ao longo dessas quatro décadas, a Memória consolidou um patrimônio histórico que precisa continuar sendo preservado, mas tambémcompartilhado e colocado em diálogo com a sociedade”, destaca Alberto Jardim, presidente da Memória da Eletricidade. Para os próximos anos, a instituição mantém o compromisso de ampliar o alcance desse conhecimento.

Desde o início das atividades, o acervo da Memória da Eletricidade cresceu a partir da reunião de documentos produzidos por empresas, órgãos e profissionais ligados ao setor elétrico e posteriormente doados à instituição.

Em 1988, duas doações marcaram essa trajetória: a biblioteca particular do engenheiro Léo Amaral Penna, um dos conjuntos que contribuíram para a formação da Rede de Bibliotecas da Energia, hoje composta por mais de 160 mil itens, e o conjunto iconográfico do engenheiro César Rabello, que registrou o processo de construção da Usina Hidrelétrica Alberto Torres, conhecida como Piabanha. Em 2025, outros 11 doadores contribuíram para a entrada de mais de 2.200 itens.

Do acervo para novos públicos

A partir de 2025, histórias guardadas no acervo ganharam novas formas de chegar ao público, transformadas em quatro exposições virtuais na plataforma Google Arts & Culture. Entre elas, uma mostra sobre a construção da Usina Hidrelétrica Alberto Torres, baseada em cerca de 400 registros fotográficos doados por Cesar Rabello Cotrim, neto do engenheiro César Rabello.

Outras exposições recuperaram a história da Exposição Nacional de 1908 e da eletrificação e urbanização do Rio de Janeiro, a partir de imagens de Augusto Malta, além da trajetória da Usina Flutuante Poraquê, que levou energia a cidades como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Manaus em momentos de crise de abastecimento.

A ampliação das formas de acesso também impulsionou a presença da Memória na grande mídia e nas redes sociais. Entre janeiro e outubro de 2026, a instituição somou cerca de 60 menções na imprensa. No Instagram, ultrapassou a marca de 120 mil seguidores, comvídeos, carrosséis e outros conteúdos produzidos a partir do acervo.

O trabalho também ultrapassou os limites do arquivo. Desenvolvido entre 2023 e 2026, o Convênio Memória Itaipu reuniu cinco frentes de atuação, incluindo a coleta de 50 depoimentos de história oral e o tratamento de mais de 100 mil fotografias históricas. Em Brasília, o Espaço Cultural Mario Santos, inaugurado em 2026 na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), passou a reunir conteúdos históricos, tecnológicos e artísticos sobre a evolução da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), com curadoria da Memória da Eletricidade.

“O que encanta em nosso trabalho é perceber que, por trás de cada grande transformação do setor elétrico, existem pessoas com histórias incríveis. Quando criamos um espaço multifuncional como o Espaço Cultural Mario Santos ou transformamos trajetórias em livros,estamos dando rostos para essa história, mostrando quem foram essas pessoas, o que elas viveram e o quanto contribuíram para o setor”, celebra Claudia Trigueiro, diretora-executiva da Memória da Eletricidade.

Preservar o presente

As transformações em curso também colocam o desafio de preservar o que está sendo produzido atualmente e preparar o acervo para as próximas décadas. Em 2025, a Memória da Eletricidade teve o projeto “Energia para o Futuro: Preservação e Difusão da Históriada Eletricidade no Brasil” selecionado no edital de Recuperação e Preservação de Acervos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para a realização de ações de tratamento, digitalização e disponibilização de documentos históricos.

Até o encerramento do projeto, previsto para 2028, a expectativa é que sejam organizadas e acondicionadas 918.900 páginas de documentação textual, além de milhares de itens iconográficos, sonoros e audiovisuais.

Ao completar quatro décadas, a Memória da Eletricidade reafirma seu compromisso com a preservação e a disseminação da história do setor elétrico brasileiro, ampliando as possibilidades de pesquisa, consulta e acesso a esse patrimônio. A história do setor não está apenas nos documentos de décadas atrás: ela continua sendo construída todos os dias, e basta o passar de um segundo para que o agora também se torne memória.

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