Política Energética, Regulação, Setor Elétrico, Gás Natural, Energias Alternativas, Empresas e Negócios

Balanços das empresas de energia elétrica, petróleo e GN mostram boa lucratividade

A Axia Energia obteve lucro líquido de R$ 1,19 bilhão no segundo trimestre do ano, revertendo o prejuízo de R$ 1,33 bilhão registrado um ano antes. O lucro líquido recorrente (IFRS ajustado) ficou em linha com o observado no segundo trimestre de 2025, em R$ 1.608 milhões.

O resultado reflete efeitos positivos da venda de energia, melhora do resultado das participações societárias e menor volume de provisões.

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a empresa obteve lucro líquido de R$ 3,82 bilhões, revertendo prejuízo de R$ 1,68 bilhão ante o registrado no mesmo intervalo de 2025, enquanto o lucro líquido recorrente (IFRS ajustado) somou R$ 5.315 milhões, aumento de 282,7% em base anual de comparação.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 5,55 bilhões no trimestre, alta de 300,9% ante igual período do ano anterior. A margem Ebitda alcançou 49,6% no período, alta de 36,0 p.p. na base anual.

A receita operacional líquida da companhia atingiu R$ 11,19 bilhões no período, 9,7% superior ao mesmo intervalo de 2025.

Considerando o semestre, a receita da empresa foi de R$ 23,90 bilhões, elevação de 15,9% na base anual de comparação.

No segundo trimestre, as despesas financeiras apresentaram uma redução de 3,4%, para R$ 2,30 bilhões na comparação anual. Os custos e despesas operacionais totais da Axia somaram R$ 6,88 bilhões no período, alta de 4,8% na comparação com igual intervalo do ano passado.

Ao fim de junho, o caixa e equivalentes de caixa somavam R$ 11,04 bilhões, enquanto os investimentos da companhia subiram 53% no período ante o mesmo intervalo de 2025.

A dívida líquida da Axia Energia era de R$ 45,46 bilhões no encerramento do segundo trimestre, 13,3% acima do registrado um ano antes, mas R$ 585 milhões inferior a do primeiro trimestre.

Resultado do balanço da Copel

A Copel fechou o segundo trimestre de 2026 com um lucro líquido recorrente de R$ 645,1 milhões, o que representa alta de 42,6% na comparação com a mesma base do ano anterior.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) alcançou R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre deste ano, avanço de 20,8% ante os R$ 1,3 bilhão registrados no mesmo período de 2025.

O bom desempenho operacional do segmento de distribuição levou a Copel a aumentar sua receita operacional líquida recorrente em 10,4% no segundo trimestre deste ano, passando de R$ 5,40 bilhões de abril a junho de 2025 para R$ 5,96 bilhões.

Segundo a companhia, a Copel Distribuição apontou crescimento de 7,2% no mercado faturado, impulsionado pelo aquecimento da atividade econômica na área de concessão, expansão da base de clientes e temperaturas mais elevadas no período.

“Entregamos sólidos resultados operacionais no trimestre. A companhia opera como um relógio suíço, consegue entregar de maneira consistente e disciplinada R$ 1,6 bilhão de Ebitda”, disse o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero. “Isso é reflexo de dois grandes temas: estratégia de comercialização bem feita do portfólio de energia, da qualidade dos ativos que a Copel, a isso somado ao fato a base dos ativos estarem no mercado Sul”, acrescenta.

Ainda segundo ele, a companhia conseguiu capturar aproximadamente R$ 75 milhões em modulação hídrica e arbitragem entre submercados, demonstrando a alta eficiência e a agilidade da gestão ativa do portfólio de energia.

A alavancagem encerrou junho em 2,9 vezes (Dívida Líquida/Ebitda), alinhada aos novos parâmetros da estrutura ótima de capital aprovada pelo conselho de administração em julho. A dívida líquida do período foi de R$ 19,65 bilhões.

“A banda da estrutura ótima de capital foi revista para 2,6 vezes a 3,2 vezes, refletindo o valor acrescentado pelo leilão de capacidade. A geração de caixa proveniente do LRCap começa a ser capturada a partir do final de 2030, abrindo espaço para explorar novas opcionalidades”, disse Slaviero.

Resultado do balanço da Foresea

A Foresea encerrou o segundo trimestre do ano com lucro líquido de US$ 57 milhões, alta de 75% em relação há um ano, consolidando três anos de operação como líder no mercado brasileiro de perfuração offshore, com expansão operacional, novos contratos e indicadores de caixa que, segundo a companhia, reforçam sua solidez financeira e capacidade de execução.

A receita líquida foi de US$ 174 milhões, alta de 56,5% ante o primeiro trimestre, com Ebitda ajustado de US$ 91 milhões e margem de 52%. Na operação, a frota própria teve 100% de utilização, com uptime (tempo de atividade) de 98% e eficiência de receita de 96%.

Criada em junho de 2023, a empresa acumulou receita líquida de aproximadamente US$ 1,5 bilhão no período e investiu US$ 265 milhões em manutenções programadas, integridade e modernização da frota. Nesse período, a Foresea dobrou o número de ativos sob sua operação ao incorporar cinco contratos para serviços de operação e gestão de ativos de terceiros.

“Em apenas três anos, construímos uma empresa sólida, financeiramente saudável e reconhecida pela excelência de suas operações”, disse em nota o presidente da companhia, Rogério Ibrahim, ao destacar a ampliação da carteira e a maior previsibilidade para os próximos anos. A companhia afirma ainda que sua frota própria está 100% contratada até o fim de 2027.

Com o desempenho, a empresa aprovou uma nova distribuição de US$ 50 milhões aos acionistas, paga em julho. Segundo a Foresea, nos últimos três anos o retorno total aos acionistas foi de aproximadamente US$ 465 milhões, enquanto a companhia manteve disciplina financeira e investimentos contínuos em confiabilidade, modernização e capacitação das equipes.

A Foresea atua com as sondas ODN I, ODN II, Norbe VI, Norbe VIII e Norbe IX e diz possuir certificação APIQ2 para toda a frota, um sistema de gestão de qualidade. A ODN II está arrendada pela Petrobras para explorar a Margem Equatorial brasileira.

Balanço da petroleira Brava

A Brava registrou lucro líquido de R$ 871 milhões (US$ 173 milhões) no segundo trimestre de 2026, queda de 16,9% em relação há um ano, quando a companhia lucrou R$ 1 bilhão. O Ebitda ajustado ficou em R$ 1,7 bilhão, alta de 33% contra igual período de 2025 e a receita líquida subiu 14%, para R$ 3,6 bilhões.

A margem Ebitda ajustado da empresa cresceu 7 pontos percentuais na comparação com o segundo trimestre do ano passado, para 49,3%, e o custo de extração (lifting cost) teve alta de 9%, para US$ 16,3 por barril de óleo equivalente (boe). A produção média da empresa caiu 5%, para 81,7 mil boe por dia, sendo 63,4 mil boed de petróleo e 18,3 mil boed de gás natural.

“O forte momento de vendas no trimestre foi liderado pelo desempenho nos ativos de Parque das Conchas e Papa-Terra, além do impacto positivo do aumento de 23% nos preços médios de venda de petróleo”, informou a companhia em nota.

A empresa atribui o resultado a uma margem de 13% no downstream e ao aumento da produção.

Segundo o diretor Financeiro da Brava, Luiz Carvalho, “alcançamos marcas históricas de receita e Ebitda no segundo trimestre, impulsionados pela captura de eficiências e pelo forte momento comercial dos nossos ativos”, o que, afirmou, ajuda a sustentar o caixa e reduzir o custo da dívida.

A Brava completou o quinto trimestre seguido de queda da dívida líquida e encerrou o período com alavancagem de 1,97 vez (1,55 vez sem o impacto de hedge), abaixo dos 3,11 vezes de um ano antes, além de reduzir o custo médio da dívida de 8,70% para 7,86%.

No campo operacional, a empresa informou que a campanha de perfuração em Papa-Terra e Atlanta segue dentro do cronograma e do orçamento, com marcos em julho de 2026. Também inaugurou um Centro de Operações Integradas na Bacia Potiguar, voltado a ganhos de eficiência e transformação digital, e comunicou a conclusão da oferta pública da Ecopetrol, com liquidação prevista para 17 de agosto de 2026.

Balanço da Engie Brasil

A Engie Brasil Energia encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 694 milhões, crescimento de 23% na comparação com igual período do ano passado. O resultado sem ajuste apresentou evolução de 246%, alcançando R$ 1,9 bilhão ao final de junho. O acréscimo no comparativo anual ocorreu, segundo a companhia, devido, principalmente, ao reconhecimento da adesão ao mecanismo legal de repactuação do Uso de Bem Público (UBP), que resultou em um efeito não recorrente de R$ 1,26 bilhão no lucro líquido.

A receita operacional líquida, por sua vez, atingiu R$ 3,5 bilhões, alta de 13,8% na mesma base de comparação. O desempenho foi impulsionado pelas operações de curto prazo e pelos contratos nos mercados livre e regulado de energia, além da contribuição dos projetos de transmissão para a expansão das receitas.

No período, o Ebitda somou R$ 2,17 bilhões, avanço de 16,5% em relação ao segundo trimestre de 2025, refletindo a execução disciplinada da estratégia da companhia, o desempenho operacional dos negócios e o avanço dos investimentos em infraestrutura.

A dívida líquida de abril a junho somou R$ 25,21 bilhões, alta anual de 16,9%. O gerente de Relações com Investidores, Leonardo Depiné, ressalta, no entanto, que a empresa conseguiu reduzir a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda de 3,3 vezes no final do ano passado, para 3,1 vezes este ano. “Estamos em linha de estratégia de continuar investindo com alavancagem próxima de 3 vezes”, afirma.

Os aportes da Engie totalizaram R$ 329 milhões no segundo trimestre. Desse montante, R$ 261 milhões foram destinados à construção de novos projetos. Destaque para os empreendimentos de transmissão Asa Branca e Graúna, que receberam investimentos de R$ 111 milhões e R$ 104 milhões, respectivamente. O restante foi destinado aos projetos de geração e aos serviços de manutenção e revitalização dos ativos.

Ainda no período, a Engie registrou avanços na execução dos empreendimentos. O Sistema de Transmissão Asa Branca obteve a Licença de Instalação Integral, permitindo o início das obras civis, e o projeto Graúna evoluiu nos processos de licenciamento ambiental e de liberação fundiária.

Outro marco foi a assinatura do contrato de concessão dos Lotes 2 e 3 (Colibri Transmissora de Energia), arrematados no primeiro Leilão de Transmissão de 2026. Os empreendimentos ampliam a presença da Companhia em territórios estratégicos e reforçam a diversificação do portfólio com obras nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraná e Santa Catarina.

“Encerramos o segundo trimestre com avanços que reforçam a consistência da nossa estratégia, mesmo diante de desafios regulatórios. Investimos R$ 329 milhões na expansão da transmissão, em projetos de geração e na modernização dos ativos No mercado livre, ampliamos a base de clientes livres em 42%, fortalecendo nossas receitas e a geração de valor de longo prazo”, disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Engie Brasil Energia, Pierre Leblanc.

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