Quem acha que já viu de tudo na Aneel, está enganado. A diretoria colegiada da agência reguladora do setor elétrico, continua dando um péssimo exemplo para a sociedade brasileira, sem se importar com as consequências de alguns dos seus atos. Os diretores da Aneel agem como se aquela organização fosse um negócio privado deles, sem conexão com o restante da administração pública federal.
Agora, por exemplo, a diretoria colegiada publicou um ato no “Diário Oficial”, dando conta de mais autorizações de viagem de servidores ao exterior, com despesas pagas pela Aneel, ou seja, pelos contribuintes.
Dois servidores da Aneel vão à Geórgia, este encantador, meio misterioso e provavelmente desconhecido país localizado entre a Europa Oriental e a Ásia Ocidental, no Cáucaso. Se for perguntado a 1000 brasileiros com curso universitário onde fica a Geórgia, provavelmente uns 900 não têm a menor ideia sobre a localização do país.
Pois bem, essa desconhecida Geórgia deve ser muito conhecida pela diretoria colegiada da Aneel. Provavelmente eles devem ter um sistema elétrico mais avançado do que o do Brasil.
Tanto que Márcio Venício Pilar Alcântara, coordenador de Inovação e Engajamento no Mercado (ninguém sabe direito o que significa isto, mas não tem muita importância) e Ailson de Souza Barbosa, um especialista em Regulação (todo mundo na Aneel, no mínimo, é especialista em Regulação) viajarão à Geórgia, no período de 19 a 26 de setembro. Eles vão representar institucionalmente a Aneel num evento denominado “IX World Forum on Energy Regulation (WFER IX)”. O que é isso ninguém sabe. Mas a Aneel sabe e abriu o cofre.
Dois detalhes chamam a atenção nessa viagem. O primeiro deles é que as despesas da viagem são totalmente custeadas pela Aneel, a mesma Aneel que está bancando a viagem de um servidor para participar de um campeonato de canoagem no Extremo Oriente. Agora, a diretoria colegiada endoidou de vez e decide mandar DOIS (não satisfeita em mandar um, a diretoria vai mandar dois) servidores para conhecer as maravilhas da Geórgia. É possível que tenha diretor na Aneel que não saiba onde fica a Geórgia. Viva a Aneel Tour.
Além desses dois felizardos, a diretoria colegiada autorizou a viagem de Benny da Cruz Moura, especialista em Regulação que trabalha na Assessoria da Diretoria. Ele vai à Dinamarca (que beleza, sempre a Dinamarca), para participar do “Renewable Energy Integration in Power Systems”, no período de 17 de outubro a 08 de novembro. Também com todas as despesas pagas.
Este idoso editor pergunta aos pouquíssimos gatos pingados que ainda se atrevem a ser seus leitores: o que vocês acham disso, queridos leitores? Esses diretores da Aneel são uns brincalhões, não são? Parecem tão sérios, mas têm excelente humor. Só pode.
Porque essas viagens bancadas com recursos públicos não passam de um escárnio. Além de não saber onde fica a Geórgia, é possível que eles também não saibam o que significa escárnio. Então este idoso editor vai dar uma ajudinha.
- Diz a internet que escárnio é o ato de caçoar ou ridicularizar para fazer rir ou humilhar. Uma atitude de forte menosprezo. Falta de respeito. Algo absurdo ou vergonhoso que vira motivo de piada. Os sinônimos mais comumente usados são deboche, caçoada, desdém e sarcasmo.
Essas viagens já devem estar gerando tantos comentários maliciosos na administração federal, que a diretoria colegiada Aneel teve o cuidado de incluir uma espécie de “disclaimer”, que provavelmente é apenas para inglês ver: “As participações dos servidores estão condicionadas à disponibilidade de recursos orçamentários e financeiros para custeio quando do momento da contratação”. Depois da porta arrombada, a Aneel resolveu colocar um cadeado. É rir para não chorar.
Geórgia, Aneel? Com despesas pagas pela agência? Representação institucional em evento na Geórgia? Contem outra piada, diretores da Aneel. Essa não vale.