Da Redação, de Brasília (com apoio da Agência ClimaInfo) —
As negociações climáticas de meio de ano da ONU em Bonn chegaram ao fim. As discussões aconteceram na esteira da maior crise energética dos últimos anos provocada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e logo após a Conferência de Santa Marta sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis.
Apesar de repetirem diversas vezes que Antalya seria uma “COP da implementação”, nem Austrália nem Turquia, as co-presidentes da Cúpula, apresentaram prioridades políticas claras ou iniciativas capazes de orientar o processo rumo à COP31.
Eletrificação
Austrália e Turquia anunciaram uma meta de 35% de eletrificação até 2035 como parte da Agenda de Ação da COP31. O presidente da COP31 e chefe das negociações australianas afirmou esperar que os países “estejam à altura do momento” e apoiem a iniciativa. Ainda não está claro se a meta fará parte de um resultado formalmente negociado.
Na próxima semana, durante a Semana de Clima de Londres, o governo do Reino Unido sediará uma cúpula sobre transição energética e eletrificação. Esforços para mobilizar investimentos públicos e privados para o setor devem dominar o debate.
Transição para longe dos combustíveis fósseis
A Presidência brasileira da COP30 realizou diversas discussões sobre o processo de elaboração dos roadmaps para a transição para longe dos combustíveis fósseis, lançados em Belém no ano passado.
Na próxima terça-feira, também na Semana de Clima de Londres, espera-se que Colômbia e Países Baixos publiquem um relatório de cerca de 100 páginas como desdobramento da Conferência de Santa Marta.
Prioridades dos países do Pacífico
Os países do Pacífico, particularmente vulneráveis à crise dos combustíveis fósseis, aproveitaram a reunião de Bonn para pedir que Austrália e outros países ampliem os investimentos em financiamento para os oceanos, para o Pacific Resilience Facility e para a transição rumo a um Pacífico movido 100% por energias renováveis.
Ana Toni, diretora executiva da COP30, comentou que “as conquistas que alcançamos coletivamente em Belém já estão gerando resultados concretos: a Agenda da COP30 foi incorporada ao processo de forma tangível, as discussões sobre financiamento para adaptação ganharam força e as ideias iniciais dos Roadmaps da Presidência da COP30 para o combate ao desmatamento e a transição para longe dos combustíveis fósseis receberam amplo apoio. Essa convergência tão necessária entre negociação, implementação e novas propostas de políticas públicas está ganhando impulso.”
Na avaliação de Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima, “enquanto a dupla presidência turco-australiana ainda tenta se entender e se posicionar no tabuleiro, o que testemunhamos em Bonn foi a continuidade da liderança brasileira: seja com a apresentação nos mais variados eventos das inovações criadas em Belém – o acelerador, a Missão 1.5 de Belém, além, é claro, dos mapas do caminho de floresta e combustíveis fósseis – que lotaram as salas, seja com a carta do presidente da COP30 esclarecendo que o programa de trabalho sobre financiamento sempre foi feito para ser um item de agenda.”
Para Ayşin Turpancı, chefe do Departamento de Negociação da Turquia na COP31, “todos queremos que a COP31 seja uma COP da implementação, transformando compromissos em ação e ação em resultados. A Agenda de Ação da Presidência da COP31 vai além das manchetes e nos desafia a assumir compromissos coletivos com metas e medidas práticas para alcançá-las. O progresso alcançado aqui em Bonn cria um impulso real no caminho para Antalya, e continuaremos oferecendo a liderança necessária para construir esse caminho juntos, por meio do diálogo, do consenso e da cooperação.”
A chefe da delegação da Austrália e negociadora-chefe da COP31, Sally Box, argumentou que “ouvimos de muitos de vocês a importância do Programa de Trabalho de Mitigação, do programa sobre agricultura, da Meta Global de Adaptação e do novo programa de trabalho sobre financiamento climático. Mantemos firme nosso compromisso de garantir que a COP31 seja realizada de forma transparente, inclusiva e previsível”.