Maurício Corrêa, de Brasília —
Um exemplo simples e cristalino a respeito das incoerências financeiras praticadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
No mesmo dia em que o seu diretor-geral, Sandoval Feitosa, estava participando de um evento em Lisboa, organizado por um ministro do Supremo Tribunal Federal, sem qualquer ligação com a natureza do trabalho desenvolvido pela agência (comendo do bom e do melhor com dinheiro público), a Aneel disponibilizou na internet uma nota de um grupo chamado “Comitê das Agências Reguladoras Federais (Coarf)” denunciando a “profunda preocupação” com a publicação do Decreto nº 12.990, de 29 de maio de 2026, que promove novo bloqueio de recursos no Orçamento da União e impõe uma redução linear de aproximadamente 18% nos limites de movimentação e empenho dos órgãos federais.
O documento lista um impacto enorme nas agências com o bloqueio desses recursos. O choro é livre e este site não tem condições de saber se os dirigentes e servidores de agências similares à Aneel vivem viajando, com ônus (ou seja, com as despesas pagas pelo órgão) para cima e para baixo, como ocorre na área de energia elétrica.
A Aneel é, na maior cara de pau, signatária dessa nota do Coarf. Tanto que a disponibilizou no seu site. Em complemento, poderia ter esclarecido aos consumidores que lêem o site que o diretor-geral da Aneel, só de agosto para cá, já viajou para uma porrada de países (Dinamarca, Moçambique, China, Colômbia, Espanha, Coréia e agora Portugal) e se transformou num dos maiores turistas do serviço público federal.
Aneel, vê se te manca. Vocês acham que todo mundo é bobo e não percebe que essa farra do boi das viagens internacionais de vocês não é patrocinada por dinheiro público?